Projeto no Piauí transforma quintais em áreas férteis contra a seca
Moradores de Betânia do Piauí, município situado no semiárido a cerca de 500 km de Teresina, estão conseguindo driblar a severa estiagem ao converterem seus quintais em zonas férteis por meio da agroecologia.
Tecnologia e inovação no semiárido
Conduzida pela ONG Novo Sertão, a iniciativa Quintais Produtivos capacita pequenos agricultores com métodos acessíveis, a exemplo do reúso da água e da rotação de culturas, viabilizando colheitas mesmo durante períodos secos rigorosos. Essa realidade no interior piauiense desperta um questionamento fundamental: quanto mais os mais pobres poderiam produzir se tivessem acesso aos recursos necessários para trabalhar?
Tradicionalmente, a pobreza é analisada apenas sob a ótica da carência de itens básicos, como renda, emprego, bens e moradia. Contudo, essa perspectiva se mostra incompleta ao ignorar a imensa capacidade produtiva que acaba sendo travada por barreiras estruturais.
A força do trabalho impedida pela seca
Uma família pode dispor de vontade para trabalhar, noções de cultivo e espaço físico, mas a ausência de água em volume adequado e de suporte técnico para enfrentar a estiagem paralisa essa aptidão, gerando prejuízos econômicos e sociais.
Criada em 2019, a ação busca converter áreas áridas em espaços geradores de segurança alimentar, autonomia financeira e novas alternativas comerciais para os agricultores locais. O que começou com vendas em uma pequena feira semanal evoluiu, em 2025, para a comercialização em uma feira da agricultura familiar e a criação formal de uma associação de produtores.
A união entre assistência e políticas públicas
A experiência de Betânia evidencia que a renda dos estratos mais vulneráveis está atrelada tanto à posse de recursos quanto à capacidade de usá-los produtivamente. Sem infraestrutura ou assistência, a produção deixa de ser uma alternativa viável para os lares.
Portanto, as políticas públicas precisam atuar em conjunto. Enquanto os programas de transferência de renda garantem o consumo imediato, o fornecimento de bens produtivos, como água e técnicas agrícolas, assegura que o trabalho gere frutos duradouros.
O combate efetivo à vulnerabilidade social vai muito além de repassar recursos e aguardar que cada núcleo familiar supere sozinho as barreiras para produzir, exigindo a integração entre programas como o Bolsa Família e frentes de desenvolvimento que forneçam água, recursos e oportunidades para toda essa capacidade florescer.
Fonte: Folha - Mercado