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Caderno Mercado

TSMC estuda alternativas à China para evitar gargalos em terras raras

TSMC estuda alternativas à China para evitar gargalos em terras raras

A principal fabricante terceirizada de semicondutores do planeta está investigando soluções tecnológicas para substituir componentes de terras raras em seu parque fabril. A movimentação estratégica da gigante taiwanesa tem como foco principal mitigar os riscos associados aos rígidos controles de exportação impostos por Pequim, garantindo assim a continuidade na fabricação dos processadores mais modernos da atualidade.

O peso do mercado chinês na indústria global A dependência generalizada do setor tecnológico em relação ao monopólio chinês sobre esses minerais essenciais tornou-se um ponto crítico de vulnerabilidade. No ano passado, o governo da China passou a exigir licenças específicas e submeteu à fiscalização rigorosa tanto os materiais brutos quanto os ímãs e as tecnologias de processamento associadas.

Esses ímãs especiais são fundamentais para o funcionamento de motores que movimentam o maquinário fabril avançado, tecnologia amplamente aplicada nas plantas automatizadas da TSMC. Qualquer falta desses insumos na cadeia logística pode paralisar a confecção de microchips destinados a celulares, inteligência artificial, centrais de dados e equipamentos militares.

Conversas iniciais com fornecedores Diante desse cenário, a empresa iniciou tratativas com parceiros comerciais para avaliar a viabilidade de utilizar motores livres de terras raras em seus sistemas de automação. Conforme relatos de executivos familiarizados com a estratégia, a prioridade é blindar a produção contra possíveis embargos ou cortes repentinos no fornecimento originado no território chinês.

As negociações, no entanto, ainda caminham em passos iniciais e não resultaram na substituição em larga escala dos aparatos industriais utilizados nas fábricas. Procurada pela reportagem, a TSMC preferiu não se manifestar sobre o assunto.

Movimento governamental por autonomia A busca da companhia taiwanesa ocorre em um momento de articulação política entre Estados Unidos e Taiwan para cortar a dependência das rotas comerciais chinesas ligadas a minerais estratégicos.

Em junho, Raymond F. Greene, diretor do Instituto Americano em Taiwan, a embaixada de fato de Washington em Taipei, afirmou que os Estados Unidos estão trabalhando com Taiwan e outros parceiros para desenvolver fontes alternativas de fornecimento, ampliar a capacidade de processamento e construir cadeias de suprimentos mais resilientes.

No início do ano, em fevereiro, o ministro da Economia de Taiwan, Kung Ming-hsin, disse que o governo apoiaria o Instituto de Pesquisa de Tecnologia Industrial (ITRI), uma organização de pesquisa local, no desenvolvimento de tecnologias de terras raras, com planos de estabelecer, em até três anos, uma linha-piloto de produção que poderia atender a cerca de 50% da demanda interna da ilha.

O avanço tecnológico e os próximos passos Representantes do governo norte-americano demonstraram forte interesse nas pesquisas conduzidas pelo instituto taiwanês, mantendo diálogos voltados à diversificação de fornecedores globais de minerais essenciais. O Departamento de Estado dos Estados Unidos não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

Em comunicado, o ITRI afirmou estar trabalhando com o Departamento de Tecnologia Industrial do Ministério de Assuntos Econômicos de Taiwan no planejamento de um projeto de terras raras. O instituto não fez outros comentários.

Fonte: Folha - Tecnologia