Gm usa inteligência artificial para cortar tempo de criação de carros pela metade
A General Motors anunciou nesta quarta-feira (21) a adoção da inteligência artificial com o objetivo de reduzir para apenas dois anos o tempo necessário para o desenvolvimento completo de um novo automóvel, cortando o prazo anterior pela metade. A estratégia busca posicionar a companhia americana em condições de igualdade para competir de forma direta com as fabricantes da China, que têm acelerado o ritmo do mercado global.
A pressão da concorrência chinesa
Marcas como BYD, Geely e Xiaomi surpreenderam as empresas tradicionais do setor automotivo ao lançarem velozmente veículos equipados com as inovações mais recentes. Esses modelos acessíveis registraram disparos nas vendas em regiões como Ásia, África, Europa e América Latina, muitas vezes substituindo fatias de mercado tradicionalmente ocupadas por marcas dos Estados Unidos, da Europa e do Japão.
Embora os carros chineses enfrentem barreiras comerciais e tarifas rigorosas nos Estados Unidos, a GM — sediada em Detroit — mantém operações na China e lida com essa concorrência acirrada em territórios como Canadá e México. Como parte das mudanças reveladas durante um evento em Nova York, a montadora também planeja baratear o custo das baterias e reformular os sistemas computacionais de sua frota.
Inovação nos processos e baterias
Para otimizar a criação de baterias para veículos elétricos, os engenheiros da empresa utilizaram sistemas inteligentes para analisar 300 mil combinações químicas e de componentes, agilizando uma pesquisa que costumava levar anos. Executivos da companhia adiantaram que os futuros elétricos terão preços próximos aos dos modelos movidos a combustão, além de maior autonomia.
Sterling Anderson, diretor de produtos da GM, apresentou as mudanças como uma iniciativa para fabricar carros melhores. “Quanto mais rápido conseguimos repetir o processo de desenvolvimento, melhores ficam nossos produtos”, disse ele em entrevista ao The New York Times. “Estamos desenvolvendo produtos melhores, mais rapidamente e a custos menores.”
Centralização de sistemas e novos prazos
A companhia também está concentrando o processamento de dados dos veículos em uma única unidade central, unificando funções que antes exigiam múltiplos chips, o que reduz custos e protege a cadeia de suprimentos contra crises de escassez de componentes. A tecnologia segue uma tendência já adotada pela Tesla e por marcas asiáticas.
Com essa centralização, a montadora pretende introduzir, até 2028, uma tecnologia avançada de assistência que permitirá aos condutores retirarem os olhos da via em rodovias específicas. O utilitário esportivo elétrico Cadillac Escalade IQ será o pioneiro a receber o recurso no final da década. No cenário atual, as marcas Chevrolet, Cadillac e GMC somam menos de 10% das vendas de novos elétricos nos EUA, enquanto a Tesla lidera com mais de 50%, num contexto em que a presidente-executiva Mary T. Barra reconhece a futura predominância dessa tecnologia com a queda de preços.
Fonte: Folha - Tecnologia