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Caderno Mercado

Falha em linguagem php tira sites de governos do ar e alerta especialistas

Falha em linguagem php tira sites de governos do ar e alerta especialistas

Páginas governamentais de diferentes nações europeias foram tiradas do ar nesta quarta-feira (21) em decorrência da revelação de falhas de segurança críticas em uma importante linguagem de programação. A descoberta motivou uma corrida contra o tempo por parte de administradores de sistemas para blindar infraestruturas digitais antes que invasões pudessem ser consumadas.

Desenvolvedores do PHP divulgaram na terça-feira (20) a identificação de duas vulnerabilidades graves, aconselhando a atualização imediata dos softwares assim que um patch estivesse pronto. Por volta das 10h45 do dia seguinte, uma nova versão corretiva foi disponibilizada para múltiplos ramos da ferramenta.

Prevenção e ataques em andamento

Mesmo com o lançamento do pacote de correção, relatos sobre criminosos virtuais explorando as brechas fizeram com que autoridades da Holanda e da Finlândia decidissem paralisar preventivamente seus portais oficiais.

O impacto potencial é massivo devido à ampla adoção da tecnologia na arquitetura da web global. A ferramenta opera nos bastidores de sistemas populares, painéis administrativos e ambientes de hospedagem sem que o usuário perceba.

A dimensão global do problema e os riscos no wordpress

A extensão da dependência tecnológica foi detalhada por especialistas da área de segurança da informação.

“O PHP está em toda parte. Ele opera discretamente sites em WordPress, Drupal, Joomla e Magento, plataformas de hospedagem compartilhada, painéis de controle e uma enorme quantidade de softwares que nem sequer informa que usa PHP nos bastidores”, afirmou a empresa de segurança cibernética Huntress em uma publicação em seu blog.

Profissionais de tecnologia registraram investidas maliciosas logo após a divulgação das falhas, o que exigiu a implementação de defesas paliativas em firewalls.

“Estamos vendo os primeiros ataques surgirem e atualizando as medidas de mitigação à medida que aparecem novos vetores. Esta é apenas uma medida provisória. Aplique a correção assim que o PHP lançar a atualização”, postou Dane Knecht, diretor de tecnologia da Cloudflare, no X.

Plataformas amplamente utilizadas, como o WordPress, operam sobre servidores que dependem diretamente da linguagem. Plugins de proteção apontam que atualizações automáticas do sistema não resolvem a pendência do servidor, exigindo ação manual dos responsáveis.

O que é o PHP e qual o tamanho da ameaça

Utilizado para processar e entregar conteúdos dinâmicos aos navegadores, o software de código aberto é mantido por voluntários e responde por cerca de 75% dos sites com tecnologia identificável, segundo levantamento da W3Techs. A estrutura sustenta cerca de 43% de todas as páginas da rede mundial.

“Não comentamos os detalhes de questões de segurança, mas nossa equipe está preparada e vem trabalhando com a equipe de segurança do PHP para garantir uma atualização tranquila”, comentou a Automattic, empresa responsável pelo WordPress.com.

Especialistas alertam que a escala da ameaça é sem precedentes, principalmente pelo potencial uso de recursos automatizados por invasores.

“A escala é enorme”, alertou Lukasz Olejnik, pesquisador sênior visitante do King’s College London. “E, com a IA, a exploração pode ocorrer instantaneamente e em larga escala.”

Interrupções em massa na europa

As medidas preventivas afetaram severamente a prestação de serviços públicos e privados em solo europeu. Na Holanda, o Centro Nacional de Segurança Cibernética serviu de exemplo para o Porto de Roterdã, o portal Overheid.nl, a associação de futebol KNVB, partidos políticos e hospitais, que suspenderam suas páginas.

Na Dinamarca, a empresa Kombit desativou plataformas educacionais, enquanto na Finlândia a estatal Valtori desligou serviços de redes governamentais. O Ministério do Interior francês também interrompeu temporariamente portais administrativos locais enquanto aguardava a estabilização da segurança.

Órgãos de proteção digital da Austrália, Japón, Reino Unido e Europa reforçaram o coro para que operadores realizassem atualizações imediatas ou mantivessem sistemas offline até a remediação completa.

Fonte: Folha - Tecnologia