Flávio Bolsonaro aceita abrir sigilos no TSE mas impõe exigências a Lula
O candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, protocolou nesta terça-feira (21) uma petição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) respondendo ao desafio de quebras de sigilo lançado nesta semana pelo presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Exigências para a abertura de dados No documento enviado ao ministro André Mendonça, Flávio declarou concordar com a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico cobrindo os últimos 20 anos, além de informações de parentes mencionados e companhias de sua propriedade. Contudo, o parlamentar estabeleceu como regra que o petista adote a mesma medida, expandindo o escopo das investigações.
A disputa jurídica e as críticas da defesa Na véspera, Lula havia protocolado um documento no TSE declarando “autorizar” a abertura de seus sigilos e de seus familiares nos últimos 8 anos, condicionando o ato à reciprocidade do adversário. A defesa de Flávio Bolsonaro classificou a investida inicial como uma “promessa vazia” e uma “quebra para inglês ver”.
“O pedido de Lula é uma verdadeira aberração jurídica. Não pede nada ao Tribunal, não se encaixa em nenhum tipo de processo e depende da vontade de quem nem sequer é parte. Também é desnecessário, porque, caso o candidato estivesse realmente preocupado em levar a verdade aos eleitores, poderia, ele próprio, divulgar os extratos”, afirmam os advogados na peça.
Lista de condições impostas pela campanha do PL A petição exige que Lula abra dados referentes a mandatos anteriores e à gestão atual. Entre as demandas estão os sigilos de assessores como Marco Aurélio Santana Ribeiro, o “Marcola”, e empresas ligadas a familiares, incluindo negócios do filho Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, além do Instituto Lula e da empresa L.I.L.S. Palestras desde 2003.
O documento também cobra detalhes sobre registros de visitantes no Palácio do Planalto e a reunião com Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, esclarecimentos sobre a lobista Roberta Luchsinger, o sigilo do sindicalista Frei Chico, além de gastos do cartão corporativo desde janeiro de 2023 e as agendas institucionais da primeira-dama, Janja.
No texto, Flávio Bolsonaro afirma que “quem não deve, não recorta” e pede que o TSE intime o adversário a se manifestar sobre as regras.
Esclarecimentos sobre empresas e inquéritos O senador também negou vínculo com a Alcazar Holdings, empresa de Willer Tomaz, afirmando não ser sócio, administrador ou beneficiário. O nome de Flávio apareceu como “usuário master” de uma conta da firma, investigada por lavagem de dinheiro.
Atualmente, o parlamentar responde a dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), que investigam a relação com Willer Tomaz e o financiamento da cinebiografia “Dark Horse” com recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A defesa nega qualquer conduta ilícita por parte do senador.
Fonte: G1 - Política