Apple inicia testes de inteligência artificial na China com atraso
A Apple deu início a uma fase de testes de suas ferramentas de inteligência artificial voltadas para usuários na China. A iniciativa busca reduzir a desvantagem em relação às marcas locais de celulares em um território comercialmente estratégico.
Barreiras regulatórias e ausência de parceiros globais
Batizados de “Apple Intelligence”, os recursos integrados aos aparelhos estrearam nos Estados Unidos e em outras regiões no outono asiático de 2024. Contudo, as rigorosas normas da China para o setor provocaram o adiamento da estreia.
Outro fator determinante foi a indisponibilidade no território chinês de modelos desenvolvidos pelo Google e pela OpenAI, tecnologias que a Apple utiliza internacionalmente para complementar suas próprias funções. Para contornar o entrave, a gigante americana firmou parceria com a Qwen, divisão do Alibaba, visando incorporar recursos avançados aos dispositivos ao lado de suas soluções nativas.
Cronograma e funcionalidades liberadas
O período de testes foi liberado inicialmente para desenvolvedores. De acordo com comunicado emitido pela companhia, o acesso aberto ao público na China tem início programado para dezembro.
Nesta etapa inicial, o pacote traz 18 ferramentas de inteligência artificial. Entre as utilidades estão a tradução simultânea de ligações e funções para revisar e resumir textos, embora a versão mais recente da assistente Siri fique de fora desta entrega.
Exigências legais e mercado competitivo
A legislação local impõe que plataformas de inteligência artificial realizem cadastro no órgão regulador da internet do país, além de obrigarem o armazenamento e processamento de dados em servidores locais. A liberação para a Apple ocorreu apenas em julho, após conversas com gigantes locais como Baidu, ByteDance e Tencent.
O analista sênior da Counterpoint Research, Ivan Lam, avaliou que o movimento “preenche uma lacuna de longa data na oferta de IA da Apple”, mas ponderou que isso não garante à corporação californiana “uma vantagem significativa” diante da forte concorrência local.
Por sua vez, o fundador da consultoria iiMedia, Zhang Yi, apontou que trabalhar com parceiros locais no Apple Intelligence “representa uma concessão estrutural da Apple em relação ao seu poder de definir preços e moldar a experiência de IA no mercado chinês”. Ele acrescentou que o atraso ocorreu devido aos “custos de conformidade regulatória”, e não por carência em pesquisa e desenvolvimento.
Com mais de 110 milhões de iPhones compatíveis com os novos recursos na região, conforme dados da Omdia, a base potencial de usuários é ampla, mas o cenário permanece desafiador para a liderança da empresa na área.
Fonte: Folha - Tecnologia