Apple rompe tradição e apresenta primeiro macbook com tela touch
O CEO da Apple, John Ternus, revelou nesta quarta-feira (28) os primeiros computadores portáteis da marca equipados com tecnologia touchscreen, quebrando uma resistência histórica da companhia e encerrando um ciclo de anúncios antes do período de festas.
Apresentação em Los Angeles e o retorno do logo luminoso
Durante um evento realizado em Los Angeles voltado para criadores de conteúdo e profissionais da área criativa, Ternus mostrou a nova versão do MacBook Pro equipada com tela OLED. O executivo também confirmou o retorno do logotipo com iluminação própria na tampa traseira dos notebooks.
“Olha, nós adoramos o Mac, e é por isso que muitos de nós acabamos escolhendo a Apple. E o Mac nunca esteve melhor, nunca esteve tão poderoso”, disse Ternus.
A revelação integra uma ofensiva de lançamentos liderada pelo executivo, que assumiu o cargo máximo da empresa no mês passado após trajetória na divisão de hardware. Entre as novidades recentes estão um iPhone dobrável chamado Duo e um dispositivo central para automação residencial.
Mudança de postura após anos de resistência
A introdução do recurso tátil encerra um longo período de oposição interna. No passado, Steve Jobs classificou telas táteis em laptops como ergonomicamente ruins, enquanto Tim Cook comparou a ideia à junção impraticável de uma torradeira com uma geladeira. Contudo, com a concorrência oferecendo a tecnologia em computadores Windows há mais de dez anos, a demanda de uma nova geração consumidora acabou prevalecendo.
“Acredito que eles sempre estiveram errados em resistir à tecnologia de toque, e esta é a realidade se imponendo”, disse Anshel Sag, analista da Moor Insights & Strategy. “Algumas coisas são simplesmente inevitáveis.”
Preços e especificações técnicas
O modelo inicial de 14 polegadas, equipado com o chip M5 Pro, tem preço inicial de US$ 2.899 (cerca de R$ 15,4 mil) nos Estados Unidos. Já a opção mais avançada de 16 polegadas com o processador M5 Max custa a partir de US$ 4.799 (R$ 25,6 mil), sendo 0,3 kg mais leve que a geração anterior sem o recurso. No Brasil, o aparelho será comercializado a partir de R$ 34.999, ainda sem data oficial de chegada divulgada.
Para evitar problemas de desgaste de imagem associados aos painéis OLED, a fabricante redesenhou a estrutura interna para melhorar a dissipação térmica e utilizou o poder computacional dos processadores M5 para gerenciar a exibição.
“Isso será voltado para criadores, designers, fotógrafos, pessoas que vão aproveitar a alta fidelidade da tela e que, em sua maioria, cresceram tocando em telas, editando em tablets, celulares etc.”, disse Tom Mainelli, chefe do Grupo de Pesquisa de Dispositivos e Consumidores da IDC.
“Você pode esperar que uma tela OLED dure tanto quanto uma tela LCD comum. A Apple saiu na frente ao combinar uma tela muito vibrante com a adição da tecnologia touchscreen”, acrescentou Mainelli.
Desafios no mercado de computadores portáteis
Apesar da inovação, analistas apontam o desafio de competir em um segmento corporativo dominado por marcas como Lenovo, HP e Dell, cujos produtos apresentam custos inferiores. Dados da IDC mostram que o mercado global comercializou 33,4 milhões de notebooks com tela sensível ao toque em 2025, com preço médio de US$ 1.009, valor consideravelmente menor que o praticado pela gigante de Cupertino.
Fonte: Folha - Tecnologia