Poços de Caldas tem comércios listados em boicote político no WhatsApp
Estabelecimentos comerciais localizados em Poços de Caldas, no interior mineiro, tornaram-se alvos de campanhas de boicote disseminadas através de listas no WhatsApp, reunindo dezenas de locais cujos donos seriam eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Riscos jurídicos do boicote político A atitude de expor e prejudicar comércios por divergências político-partidárias pode configurar crime de perseguição no Código Penal brasileiro. A tipificação ocorre quando há ações reiteradas que ameaçam a integridade psicológica ou física dos alvos, além de interferir em sua liberdade. A punição prevista abrange reclusão de seis meses a dois anos, além de multa. O episódio no município mineiro faz parte de uma onda nacional que ecoa a campanha “demita um petista” nas plataformas digitais.
Reação dos empresários afetados A exposição gerou forte indignação entre os empreendedores locais. O comerciante Gustavo Pupila usou as redes sociais para repudiar a iniciativa dos criadores da lista.
“Isso aí é crime, é coisa feia. Eu vou descobrir cada um desses bandidos que pôs meu nome lá. Esses criminosos vão pagar. Não aceitaram perder e estão querendo mexer com a minha vida. Eu vou mexer com a sua vida, agora. Eu irei te achar”, disse.
Histórico de hostilidades em Poços de Caldas Empresários locais recordaram episódios parecidos ocorridos no pleito de 2022, quando Jair Bolsonaro (PL) perdeu a eleição. Uma dona de loja relatou que o temor inicial deu lugar à solidariedade da comunidade.
“Naquela eleição foi difícil para mim, eu tive medo, cheguei a ser hostilizada. Na realidade, porém, isso dura pouco. O que vejo hoje é que esse tipo de agressão mais une a gente do que desune. As pessoas de bom senso, equilibradas, não entram nisso, não tratam os outros assim”, afirmou a comerciante.
Outro lojista com longa trajetória na cidade de 173 mil habitantes apontou quedas temporárias no faturamento no passado e conflitos pessoais decorrentes da polarização. No município, o candidato do PL obteve 55,8% dos votos no segundo turno, enquanto Lula somou 44,2%, contrariando o resultado geral do estado.
Denúncias formais às autoridades Os vereadores petistas Tiago Mafra e Diney Lenon formalizaram uma queixa perante a Polícia Civil sobre o ocorrido na cidade.
“Além de ser inadmissível moralmente, é crime. Está no código penal. Esse tipo de prática é idêntico à dos nazistas, que marcavam as casas onde os judeus moravam. Nós não vamos aceitar. Estamos aqui buscando todos os caminhos para tomar medidas contra essas pessoas”, disse Lenon, ao divulgar a denúncia.
A Associação de Comerciantes de Poços de Caldas, por meio de seu presidente Marcelo Bertolucci, declarou estar ocupada ao ser contatada. Casos de assédio eleitoral e perseguição podem ser notificados oficialmente através da plataforma digital disponibilizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Fonte: Folha - Mercado