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Stj demite servidor investigado por vazar minutas a advogado

Stj demite servidor investigado por vazar minutas a advogado

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu exonerar nesta sexta-feira (16) um funcionário do setor de tecnologia da corte. A medida ocorre após investigações apontarem o repasse de minutas de julgamentos e dados internos ao advogado Willer Tomaz, conhecido por sua proximidade com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Investigação da Polícia Federal revela esquema De acordo com os registros reunidos pela Polícia Federal (PF) e enviados à Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-servidor Humberto Fontoura Pradera compartilhava atualizações de processos e fotografias de telas de computadores com o defensor. Em um dos diálogos interceptados, o funcionário detalha o andamento de demandas internas e informa o número de um recurso especial.

Pradera ocupava cargos estratégicos na cúpula de inovação e tecnologia do tribunal, tendo atuado como secretário da pasta e assessor de inteligência artificial. O desligamento foi confirmado pelo próprio tribunal por meio de pronunciamento oficial.

“O presidente do STJ, ministro Luis Felipe Salomão, tomou conhecimento dos fatos, e um procedimento interno para apuração já havia sido instaurado desde a semana passada. Como não se trata de concursado, o servidor em cargo de confiança foi exonerado nesta sexta-feira (16)”, afirmou o STJ, em nota.

O tribunal acrescentou ainda: “As medidas criminais estão em andamento e são sigilosas, e sobre elas o Tribunal não vai se manifestar”.

Conexões com o Ministério Público Além do vínculo com a área de tecnologia do STJ, os documentos da PF apontam que o advogado mantinha diálogos frequentes com o ex-subprocurador-geral da República Antônio Carlos Simões Martins Soares, que se aposentou voluntariamente no início de 2026. A análise comparativa de planilhas indica semelhanças e trechos idênticos entre os pareceres emitidos pelo membro do Ministério Público e as orientações enviadas por Willer Tomaz.

Investigações paralelas e apostas online O advogado também é alvo de apurações na Operação Sem Desconto, que examina fraudes bilionárias em benefícios administrados pelo INSS. Em outra frente, registros apresentados pela defesa em uma disputa judicial contra a plataforma de apostas Blaze mostram movimentações volumosas em jogos online, com perdas financeiras expressivas em um período de dezoito meses.

Adicionalmente, dados colhidos pelos investigadores indicam que o parlamentar Flávio Bolsonaro figurava como usuário com privilégios de gestão em uma conta bancária vinculada a uma empresa do advogado, levantando suspeitas sobre possíveis vínculos societários.

Posicionamento da defesa Por meio de nota oficial, a defesa rechaçou as acusações de irregularidades na obtenção de dados ou influência sobre órgãos públicos.

“O advogado Willer Tomaz nega categoricamente ter tido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal, bem como ter interferido em manifestações. Sua atuação sempre observou a legislação e as prerrogativas da advocacia, valendo-se exclusivamente das vias institucionais e processuais legítimas. As insinuações divulgadas são infundadas, distorcem o exercício regular da profissão e configuram desinformação. A defesa desconhece o relatório citado. Causa estranheza que um material sigiloso, ignorado até mesmo pela defesa, venha a público de forma seletiva em pleno período eleitoral e mencione terceiros sem nenhuma relação com os fatos investigados. Serão adotadas as providências cabíveis para obter acesso ao relatório, demonstrar a improcedência das alegações e identificar a origem do vazamento.”

Fonte: G1 - Política