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Caderno Mercado

Confrontos e saques em onda de protestos contra o custo de vida na França

Confrontos e saques em onda de protestos contra o custo de vida na França

Uma mobilização massiva contra a inflação e por melhorias na educação levou 550 mil pessoas às ruas de várias cidades francesas neste sábado, resultando em mais de 400 detenções e 60 policiais feridos, conforme balanço divulgado pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez. A capital francesa concentrou 110 mil manifestantes, enquanto autoridades relataram episódios severos de depredação e violência que transformaram o país em cenário de guerra urbana.

Invasões a prédios públicos e atos de vandalismo

Em Angers, no oeste do território nacional, cerca de 10 mil cidadãos participaram dos atos, dos quais um grupo estimado entre 300 e 400 indivíduos atacou comércios e edifícios estatais. A prefeitura e a sede do governo regional de Maine-et-Loire foram invadidas, gerando um princípio de incêndio na sala de correspondência que precisou ser contido por um funcionário com extintor. O prefeito Christophe Béchu classificou o ocorrido como inadmissível. “A entrada da prefeitura foi alvo. Esses atos são inaceitáveis e eu os condeno com a maior firmeza”, declarou.

Enquanto isso, em Toulouse, a situação escalou para saques a estabelecimentos comerciais, lixeiras incendiadas e montagem de barricadas. Líderes sindicais criticaram duramente a condução das forças de ordem após quatro dirigentes ficarem feridos durante a repressão policial. “Responsabilizamos diretamente o prefeito regional e seu chefe de gabinete, assim como o primeiro-ministro, pelas ordens dadas à polícia”, afirmou Cédric Caubère, secretário-geral da união departamental da CGT no Alto Garona. Por sua vez, o prefeito Jean-Luc Moudenc atribuiu a culpa a partidos de oposição por darem cobertura a vândalos.

Capital sitiada e revolta popular

Paris amanheceu sob forte esquema de segurança, com bloqueios em zonas estratégicas como a Avenida Champs-Élysées e o Arco do Triunfo. O descontentamento geral uniu estudantes, trabalhadores e ativistas com trajes refletores. “Estamos lutando porque o custo de vida está insuportável, porque o preço dos combustíveis está muito alto, porque estudantes do ensino médio estão sendo violentamente atacados e feridos em todo o país simplesmente por tentarem protestar e pedir mais professores e condições dignas de ensino”, desabafou a jovem Lola, de 19 anos.

Diante do caos generalizado, o presidente Emmanuel Macron utilizou as redes sociais para repudiar a violência e garantir que os responsáveis por depredações e saques serão punidos judicialmente. “Vamos todos fazer bloco contra os semeadores do caos, que buscam apenas derrubar nossas instituições e impedir que aqueles que expressam pacificamente suas reivindicações o façam”, pontuou o chefe de Estado, que enfrenta forte pressão econômica e um cenário político fragmentado no final de seu mandato.

Origem da mobilização nacional

As manifestações tiveram início no mês passado em colégios secundários situados na periferia norte de Paris, motivadas originalmente por demandas por infraestrutura escolar adequada e contratação de docentes. Com o passar do tempo, a pauta se expandiu para incorporar o repúdio à desigualdade social e à perda de poder aquisitivo, ecoando o descontentamento histórico que marcou o movimento dos “coletes amarelos” em anos anteriores.

Fonte: Mundo