Trabalho por hora defendido por Flávio Bolsonaro já existe no exterior
O regime de contratação baseado nas horas trabalhadas, defendido pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante a corrida eleitoral como alternativa ao fim da escala 6×1, possui equivalentes diretos em nações estrangeiras.
O modelo britânico de zero hora No Reino Unido, a modalidade conhecida como contratos zero hora emprega mais de 1 milhão de cidadãos, conforme dados do ONS (Office for National Statistics). O formato gera divisões profundas entre patrões e sindicatos: enquanto o empresariado aponta a vantagem de ajustar o quadro de pessoal de acordo com a demanda, os empregados criticam a instabilidade financeira e a falta de previsibilidade nos turnos.
A discussão sobre essa flexibilização ganhou força no cenário político nacional durante o período eleitoral. Em outubro, o senador apoiou uma iniciativa do senador Rogério Marinho (PL-RN) focada na negociação direta da carga horária.
“Tenho proposta infinitamente melhor do que essa que está na mesa [o fim da 6×1]. Liberdade do trabalhador de escolher sua própria carga horária. Nossa proposta é dar liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada conforme a sua possibilidade e necessidade. Quem quer trabalhar mais, vai trabalhar mais. Quem quer trabalhar menos, vai trabalhar menos.”
Mudança de postura e a PEC 12/2026 Dias depois, com o avanço da pauta do fim da escala 6×1, o parlamentar alterou seu posicionamento após dialogar com eleitores nas ruas.
“Eu rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores. Eu votei conforme o que eu vi nas ruas. Como eu vi que a grande maioria dos trabalhadores estava favorável ao fim da escala 6×1, resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros”, disse em sabatina à TV Globo.
“Sempre defendi mais liberdade para que os trabalhadores pudessem inclusive montar a sua própria jornada de trabalho”, afirmou.
A proposta legislativa apresentada por Marinho estipula que o profissional pode escolher entre o formato tradicional da CLT e um modelo flexível atrelado estritamente às horas prestadas.
Conforme o texto oficial, “essa flexibilidade permite que o trabalhador decida o modelo de jornada que melhor atenda às suas necessidades, conciliando sua vida pessoal com seu trabalho, e possibilita que ele adapte sua rotina às demandas e oportunidades do mercado de trabalho”.
Panorama e impacto no Reino Unido Os dados estatísticos mostram que 1,23 milhão de pessoas exerciam atividades sob o regime de zero hora no segundo trimestre de 2026, representando 3,6% da população ativa com 16 anos ou mais. A maior concentração ocorre em funções básicas de setores como hotelaria, alimentação e serviços gerais, marcados por remunerações menores e forte apelo entre os jovens.
Um levantamento da Work Foundation aponta que a principal queixa dos contratados não se resume ao volume de expediente, mas sim à impossibilidade de planejar o futuro financeiro com segurança e ao desequilíbrio na relação com as empresas.
“De modo geral, espero apenas ter uma remuneração estruturada. Não me importo em ter flexibilidade quanto aos horários de trabalho —não preciso de um expediente fixo das 9h às 17h—, but contar com uma carga horária garantida, uma renda estável e direitos trabalhistas é importante para mim”, disse o entrevistado.
Especialistas e pesquisadores sugerem medidas para mitigar os impactos negativos, como a exigência de aviso prévio para os turnos, compensações financeiras por cancelamentos repentinos e maior rigor na fiscalização contra abusos corporativos.
Fonte: Folha - Mercado