Novo livro mapeia os impactos da inteligência artificial no emprego
A expansão acelerada da inteligência artificial e da automação provoca uma mudança estrutural profundamente desigual no mercado de trabalho nacional e internacional, impulsionando a eficiência em áreas tecnológicas enquanto ameaça a tradicional progressão de carreira das novas gerações.
Análise especializada sobre o futuro profissional
Essas transformações são o foco do livro “Trabalho e Emprego Onde?”, lançado pela Editora Lux por R$ 89 com 382 páginas, que traz organização de Fabio Giambiagi, Letícia Magalhães e Paulo Faveret. A publicação reúne estudos de vários economistas para examinar o impacto dos algoritmos nas corporações, no Estado, na geopolítica e no campo.
A revolução tecnológica no agronegócio brasileiro
Na agricultura, o avanço tecnológico diminuiu a mão de obra braçal, mas elevou a eficiência produtiva a patamares inéditos. Entre 2012 e 2025, o número de empregos diretos na produção rural caiu 23,8%, passando de 10,2 milhões para 7,8 milhões de pessoas.
Em contrapartida, a produtividade por hora trabalhada no campo disparou 444% entre 1995 e 2024, saltando de R$ 7,50 para R$ 40,80 por hora. Esse movimento exigiu um novo perfil profissional: a contratação de trabalhadores com ensino superior no agro cresceu 107,6% no período, o que impulsionou o rendimento médio real dos trabalhadores agrícolas em 33%.
O dinamismo do campo também beneficiou as cidades vizinhas, onde os municípios do “Cluster Agro” registraram desocupação de 5,1% em 2025 e impulsionaram o setor de serviços, que alcançou 53,4 milhões de ocupados.
Felippe Serigati compara o momento atual a estar “numa sala escura cheia de objetos”, e os organizadores apontam que os reflexos da inteligência artificial na lavoura ainda estão em estágio inicial, concentrando-se na gestão e no comércio.
Desafios nas empresas e na administração pública
No setor privado e no governo, a IA generativa afeta principalmente as posições de entrada, executando tarefas repetitivas e prejudicando a base da escada profissional dos jovens. Enquanto perfis seniores seguem em alta, exige-se dos novatos maior capacidade de liderança e pensamento sistêmico.
No setor público federal, Francisco Gaetani e Luiz Alberto dos Santos apontam que aproximadamente 104 mil vagas (20% do total) apresentam grande risco de automação, afetando áreas de suporte e rotinas administrativas. Como a estabilidade impede desligamentos em massa, a redução do quadro ocorrerá lentamente por meio da falta de reposição em aposentadorias.
Para finalizar, a geopolítica e a transição verde completam o cenário global de urgência por regulamentação e capacitação, tratadas atualmente como questões de segurança nacional por Marcello Pio e Rodrigo Mendes Leal.
Fonte: Folha - Mercado