Dólar dispara para R$ 5,44 e registra maior alta semanal desde 2008
O encerramento do mês de outubro foi marcado por forte instabilidade no mercado financeiro brasileiro, impulsionado pela disparada acentuada da cotação do dólar e por perdas expressivas na bolsa de valores. A moeda americana subiu cerca de 1% nesta sexta-feira (30) e encerrou negociada perto de R$ 5,45, enquanto o Ibovespa registrou recuo de 0,75%, fechando aos 167,9 mil pontos.
Balanço semanal e mensal dos mercados
Na contagem acumulada da semana, a moeda estadunidense disparou mais de 9%, alcançando o maior patamar de valorização semanal desde a crise financeira global de 2008. Por sua vez, o principal índice da B3 sofreu a pior queda semanal desde março de 2020, período que marcou o início da crise sanitária global.
O dólar comercial terminou a última sessão cotado a R$ 5,446, o maior valor de encerramento registrado em 2026. Durante os negócios do dia, a divisa chegou a atingir o pico de R$ 5,463 perto das 16h, antes de arrefecer parte da alta. No acumulado do mês de outubro, a moeda avançou 5,27%, elevando a alta acumulada no ano para 0,81%.
Impacto político e fatores internos
Entre os principais motivos para a volatilidade estiveram os ajustes realizados pelos investidores após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de dúvidas persistentes sobre os rumos da política fiscal e a futura equipe econômica do governo.
A formação da Ptax de fim de mês, taxa calculada pelo Banco Central para liquidar contratos futuros de câmbio, também contribuiu para a oscilação na primeira metade do pregão. Além disso, houve intensa busca por proteção cambial devido ao feriado prolongado de Finados na segunda-feira (2).
Desempenho negativo da bolsa brasileira
O Ibovespa completou cinco sessões seguidas de perdas ao fechar aos 167.921,80 pontos. No balanço semanal, o índice tombou 18,12%, repetindo o pessimismo de março de 2020, quando o recuo foi de 18,88%. No mês, a desvalorização atingiu 9,88%, o pior desempenho desde junho de 2022.
A aversão ao risco intensificou-se logo após o resultado eleitoral, fazendo com que o mercado acionário acionasse o circuit breaker na segunda-feira (26). A fuga de capital estrangeiro pesou sobre os ativos, com a B3 registrando uma saída líquida próxima de R$ 7,6 bilhões nos primeiros três pregões da semana.
Influência do cenário internacional
Fora do país, o ambiente desfavorável foi ditado pela cautela global com empresas de tecnologia e inteligência artificial, além de debates sobre inflação e taxas de juros no exterior. Em Nova York, o índice S&P 500 recuou 1,82%, refletindo o temor generalizado com os ativos tecnológicos norte-americanos.
Fonte: Agencia Brasil