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Caderno Mercado

Netflix enfrenta crise, demite funcionários e troca cúpula em Hollywood

Netflix enfrenta crise, demite funcionários e troca cúpula em Hollywood

A principal plataforma de streaming do planeta vive um momento de reestruturação profunda motivada pela desaceleração em seus negócios. Com uma base que ultrapassa 325 milhões de assinantes pagos, a companhia surpreendeu o mercado ao desligar aproximadamente 1.000 profissionais, o equivalente a 6% de sua força de trabalho, marcando a maior onda de cortes em quatro anos. Logo em seguida, a liderança passou por uma reformulação drástica com a saída de Bela Bajaria e a chegada de Peter Rice, veterano com passagens marcantes pela Fox e pela Disney.

Desafios financeiros e pressões do mercado A retração de mais de 40% no valor das ações acumulada no último ano e a percepção de que o ritmo de expansão desacelerou foram determinantes para as decisões administrativas. O codiretor-executivo Ted Sarandos admitiu publicamente que a empresa não tem crescido com a velocidade esperada, enquanto analistas apontam que a perda de engajamento do público gera temores quanto ao faturamento futuro.

“As ações estão em queda por um motivo: existe a percepção de que os desafios de engajamento criarão obstáculos ao crescimento da receita”, disse Rich Greenfield, fundador da LightShed Partners, empresa de pesquisa.

A tentativa fracassada de adquirir os estúdios da Warner Bros. Discovery por mais de US$ 80 bilhões também abalou a confiança dos acionistas e bagunçou a estratégia corporativa. Durante anos, a diretoria defendeu o modelo de produção interna, resumido pela frase repetida por Sarandos: “Somos construtores, não compradores”. Ao justificar a oferta, o executivo ponderou que a operação traria ativos vitais, afirmando na ocasião: “Nosso acervo de projetos em desenvolvimento é bastante limitado”.

Em conferência recente, Sarandos admitiu os impactos da manobra: “O acordo em si meio que desorganizou a narrativa da empresa para los investidores”. Contudo, o dirigente pontuou que não se arrepende da investida: “É preciso estar disposto a colocar em risco a narrativa da empresa por algo que seja bom para o negócio no longo prazo”, acrescentou.

Queda de audiência e perda de talentos criativos Além dos problemas financeiros, o serviço enfrenta dificuldades para manter o tempo de tela dos usuários e sofreu baixas importantes em seu catálogo de criadores de conteúdo. Nomes de peso como os irmãos Duffer, criadores de “Stranger Things”, migraram para a Paramount, enquanto Shawn Levy assinou com a Disney e diretores renomados optaram por não renovar seus vínculos contratuais.

As métricas de audiência também mostraram desaquecimento em produções recentes, tanto em séries de grande apuro técnico quanto em filmes que falharam em repetir o impacto cultural de títulos passados. Dados da Nielsen indicam que o YouTube ampliou sua fatia no consumo televisivo nos Estados Unidos, enquanto a participação da Netflix recuou para 7,8% em julho.

Nova liderança a caminho Para comandar a reestruturação criativa e elevar o padrão do catálogo nos Estados Unidos, a companhia escalou Peter Rice, reconhecido por sua trajetória à frente de sucessos independentes e produções aclamadas no cinema e na televisão.

“Sempre achei que ele estava destinado a comandar uma grande empresa”, disse Joe Pichirallo, professor da Tisch School of the Arts, da Universidade de Nova York, e ex-executivo da Fox Searchlight, que descreveu o gosto de Rice como sofisticado e acessível. E acrescentou: “Um hambúrguer não caberia na minha definição de Peter Rice”.

Fonte: Folha - Mercado