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Caderno Mercado

Ibovespa cresceu sob Lula, mas enfrentará freio econômico no quarto mandato

Ibovespa cresceu sob Lula, mas enfrentará freio econômico no quarto mandato

Apesar de uma reação desfavorável dos investidores, o mercado acionário brasileiro apresentou alta expressiva ao longo dos três primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva, período impulsionado por uma expansão econômica vigorosa. Contudo, especialistas financeiros alertam que o quarto mandato exigirá esforço redobrado para sustentar resultados positivos em meio a um cenário de desaquecimento da atividade e urgência no controle de despesas públicas.

Historicamente, o rali do Ibovespa nas gestões passadas do petista teve como principal motor o boom internacional das matérias-primas. No ciclo recente, por sua vez, o suporte veio da busca de investidores estrangeiros por ativos em nações emergentes, movimento acentuado por tensões e conflitos geopolíticos globais.

Desempenho nos três primeiros governos Levantamentos baseados em índices globais demonstram que, entre 2003 e 2006, correspondente ao primeiro mandato, o principal indicador da Bolsa brasileira disparou 294%, superando a alta de 212,4% do índice MSCI de mercados emergentes. Naquele quadriênio, a forte demanda chinesa por commodities — impulsionada pela entrada do país na OMC em 2001 — contribuiu para uma queda de 39,6% no câmbio do dólar frente ao real.

Já na segunda administração, a valorização seguiu em ritmo mais ameno, com o indicador subindo 55,8% contra 26,1% do índice internacional, acompanhado de uma desvalorização de 22,2% da moeda norte-americana. No terceiro mandato, o Ibovespa acumulou alta de 60,9% até o final de janeiro, ficando ligeiramente abaixo dos 63,4% registrados pelo grupo de emergentes, enquanto o dólar teve leve alta de 2,15%. Ao isolar o período anterior à mudança no humor do mercado decorrente do segundo turno, o ganho chegou a atingir 86%.

Fatores externos e internos “A valorização do Ibovespa durante o governo Lula 3 foi impulsionada por fatores externos e internos. As guerras e as sanções à Rússia reduziram as opções de investimento internacional, aumentando a atratividade relativa do Brasil entre os mercados emergentes”, aponta Einar Rivero, CEO da consultoria Elos Ayta.

O especialista acrescenta que, no âmbito doméstico, o indicador recebeu suporte das apostas em cortes futuros da taxa Selic e da expectativa de mudanças na condução fiscal devido ao cenário político.

Perspectivas fiscais e projeções para o futuro Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, o avanço histórico do mercado acionário esteve diretamente atrelado à expansão da atividade econômica.

“Os três governos Lula tiveram crescimento econômico relativamente alto: Lula 1 com 3,5%, Lula 2 com 4,7% e Lula 3 com 2,7%. Os 12 anos tiveram média de 3,6% de crescimento. Isso conta para a Bolsa e foi natural vermos um desempenho positivo”, avalia.

Em contrapartida, ele projeta um cenário distinto para os próximos anos. “Lula 4 tende a ter a pior média de crescimento dos seus governos pelo desafio fiscal do momento, e isso tende a se refletir numa bolsa crescendo menos nos próximos anos também.”

Segundo estimativas coletadas pelo boletim Focus do Banco Central, o Produto Interno Bruto deve avançar 1,80% no ano corrente e 1,31% no período seguinte. A taxa básica de juros é aguardada em 13,25% ao ano no encerramento atual e em 11,75% para o próximo ciclo.

Panorama em outras gestões presidenciais O comportamento da Bolsa brasileira também registrou variações significativas em administrações anteriores. Nos mandatos de Fernando Henrique Cardoso, impulsionados pela implantação do Plano Real, o índice subiu 55,8% na primeira fase (1995-1998) e 66% na segunda (1999-2002).

O cenário mudou drasticamente com Dilma Rousseff. Entre 2011 e 2014, o indicador desabou 27,8%, enquanto a moeda americana disparou 59,9%. No segundo mandato, após o impeachment em 2016 e a transição para Michel Temer, houve recuperação com salto de 75,7%. Já na gestão de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, o mercado acionário avançou 24,8% e o dólar teve alta de 36,1%.

Fonte: Folha - Mercado