Programador cria site com inteligência artificial para achar desaparecidos
Um programador venezuelano de 32 anos desenvolveu uma ferramenta tecnológica inovadora para ajudar na localização de pessoas desaparecidas após os tremores de terra que atingiram a Venezuela em junho.
O início do projeto e o uso de inteligência artificial
Morando na Argentina e em viagem de trabalho a Bogotá, Jorge Bastidas soube dos abalos sísmicos por meio de um amigo. Diante da dificuldade de comunicação com familiares na Venezuela, ele constatou que muitos usuários buscavam informações sobre entes queridos na internet. Com a ajuda da inteligência artificial Claude, da Anthropic, o desenvolvedor projetou e colocou o site no ar poucas horas após o desastre.
“Eu gostaria de ter podido estar lá e ajudar de uma forma mais direta, mas não tinha como fazer isso”, relata, quase quatro meses após os tremores. “Senti tanta impotência por estar fora do país que procurei outra forma de ajudar.”
A ferramenta funcionou com múltiplos processos automatizados.
“A inteligência artificial atuou como a equipe de programação da plataforma”, explica.
Volume de acessos e desafios na moderação
O portal “Desaparecidos Terremoto Venezuela” acumulou dezenas de milhares de cadastros ao longo de quase quatro meses. Com o alto volume de acessos, que chegou a cerca de 800 mil usuários em um único dia, o criador precisou reforçar a infraestrutura e a segurança da página para lidar com trotes, conteúdos impróprios e ataques virtuais.
“Começamos a receber registros de brincadeira, memes, por assim dizer: pessoas cadastrando Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez ou Diosdado Cabello na plataforma.”
Parceria com laboratório e cruzamento de dados
Para aprimorar as buscas, o criador contou com a colaboração de uma rede de voluntários e de um laboratório de inovação no México, que integrou um modelo de reconhecimento facial originalmente desenvolvido para identificar pessoas falecidas por meio de tatuagens. Paralelamente, advogados e colaboradores mobilizaram contatos em hospitais para transcrever listas manuscritas de atendimento.
A ausência de dados oficiais consolidados por parte do governo gerou críticas de organizadores e cidadãos que recorreram a iniciativas independentes em busca de respostas e conforto diante da tragédia.
“Sinto indignação porque o governo tem os recursos para estimar o número de desaparecidos, procurá-los e fornecer informações verificadas à população, e não o faz”, diz Bastidas.
“Ainda não sabemos a extensão dos estragos”, conclui o programador.
Fonte: Mundo