Ibge apaga menção a drogas ilícitas de nota técnica sobre o pib
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge) removeu a referência à estimativa de comercialização de drogas ilícitas de uma nota metodológica voltada à atualização do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB). A primeira versão do texto, divulgada em outubro de 2025, apontava que a nova série das Contas Nacionais traria alterações como essa. No entanto, a atualização publicada em setembro de 2026 já não exibe menção direta à medida.
Polêmica nas redes sociais e justificativa oficial A discussão ganhou força na internet no segundo semestre de 2026, com críticas direcionadas à possível inclusão do tráfico no cálculo econômico nacional. Usuários nas redes sociais apontaram a medida como uma tentativa de inflar os indicadores do governo.
Especialistas ressaltam que a adoção desse critério segue padrões estatísticos globais e não representa a legalização dessas práticas.
Procurado pelo g1, o Ibge declarou que as notas metodológicas sofrem atualizações rotineiras durante a revisão das Contas Nacionais.
Segundo o instituto, as mudanças podem considerar comentários externos, alterações no cronograma e questões metodológicas ou relacionadas às bases de dados utilizadas.
Apesar da resposta, o órgão federal evitou detalhar o motivo exato para a remoção da referência sobre entorpecentes e deixou em aberto se a estimativa será de fato integrada ao indicador. Os primeiros resultados da nova série estatística estão previstos apenas para 2028.
Critérios globais para o pib O debate sobre como mensurar esse mercado ilegal começou no órgão em 2019, passando por uma estimativa-teste em 2021. As normas internacionais estabelecem que o PIB mede bens e serviços de uma economia sem depender estritamente da legalidade da atividade.
Caso ocorra uma transação voluntária entre partes, a operação pode integrar as contas oficiais mesmo que o comércio seja proibido por lei.
Manuais globais, como o System of National Accounts (SNA) da ONU, indicam que a ausência dessas transações gera distorções nas estatísticas, a exemplo de falhas no cálculo da poupança das famílias. O Ibge confirmou que pretende incluir o mercado de drogas ilícitas, embora não tenha esclarecido se abordará também prostituição e contrabando, previstos nas diretrizes internacionais.
Metodologia de cálculo baseada na demanda A apuração econômica não se baseia apenas em apreensões policiais, mas sim no volume consumido pela população. Ocultado por criminosos, o lado da oferta cede espaço a pesquisas de consumo.
A fórmula simplificada multiplica o número de usuários pelo consumo médio e pelo preço de venda, avaliando também a produção nacional e as importações ilegais para chegar ao Valor Adicionado Bruto (VAB).
Fonte: G1 Economia