Exportação de carne bovina do Brasil para os EUA dispara após isenções
As exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos registraram um salto expressivo de 524,3% no mês de setembro, em comparação com o mesmo período de 2025, conforme dados divulgados pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham). O avanço ocorreu mesmo em um cenário de tarifas e restrições comerciais.
Impacto das sobretaxas e isenções
O forte crescimento do setor foi impulsionado tanto pelo volume comercializado, que subiu 3,1%, quanto pela valorização de 28% no preço médio das mercadorias enviadas ao exterior. O produto figurou entre as exceções às alíquotas adicionais impostas pelo governo norte-americano, categoria que também abrangeu itens como café solúvel, mel orgânico e pescados, a exemplo da tilápia.
No acumulado dos primeiros nove meses do ano, as vendas de carne bovina ao mercado americano tiveram alta de 82,9%, totalizando US$ 1,72 bilhão.
“Além da cota adicional de importação iniciada em setembro, a demanda dos EUA é impulsionada pela restrição na oferta interna de gado, consequência da fase de baixa do ciclo pecuário americano”, explica a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
Desempenho geral da balança comercial
Apesar do cenário favorável para a pecuária, o total das exportações brasileiras para os Estados Unidos sofreu retração de 6,5% entre janeiro e setembro, somando US$ 27,5 bilhões. O valor representa uma redução de US$ 1,9 bilhão, configurando o pior resultado para o período desde o ano de 2023. O recuo afetou diferentes frentes da economia, incluindo a agropecuária, a indústria extrativa e a indústria de transformação.
Comportamento das importações
Na contramão das vendas externas, as importações brasileiras de produtos americanos subiram 2,1% em setembro, atingindo US$ 4,43 bilhões. O resultado marcou o terceiro mês consecutivo de alta nas compras, impulsionado sobretudo pelo setor de combustíveis. Com isso, o Brasil fechou os primeiros nove meses de 2026 com um déficit comercial de US$ 4,3 bilhões no intercâmbio com os norte-americanos.
Fonte: G1 Economia