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Caderno Mercado

Governo paraguaio promete pagar clientes de banco digital falido

Governo paraguaio promete pagar clientes de banco digital falido

O governo do Paraguai apresentou nesta quarta-feira (4) uma estratégia para indenizar os correntistas afetados pela liquidação do Ueno Bank, além de anunciar mudanças na liderança da autoridade monetária após a saída de Carlos Carvallo na terça-feira (3).

Expectativa de pagamentos imediatos

O presidente Santiago Peña utilizou a rede social X para detalhar que o plano visa iniciar a devolução dos recursos nos próximos dias, aguardando apenas o aval do Congresso para a nova legislação. O chefe do Executivo destacou a relevância dos fundos guardados pela população.

“Entendo a incerteza que uma situação como essa provoca e, acima de tudo, sei que por trás de cada poupança estão o esforço e o trabalho de milhares de paraguaios”, declarou.

Para acelerar o trâmite, o mandatário buscou articulação direta com os presidentes das duas Casas legislativas.

“Com a aprovação dessa lei, adotaremos uma medida concreta e eficaz para atender 98% dos poupadores da instituição afetada, com o início dos pagamentos ainda nesta semana”, afirmou.

Novas lideranças no setor financeiro

Para ocupar a presidência do Banco Central, o governo encaminhou ao Senado o nome do economista Raúl Vera Bogado, junto às indicações de Pedro Acosta e Hetzel González para as diretorias. As trocas ocorrem após a renúncia de Carlos Carvallo, alvo de questionamentos sobre a supervisão da instituição por ter comandado o próprio Ueno até agosto de 2023. A relação prévia do presidente Santiago Peña com o grupo controlador até março de 2025 também elevou a tensão política e gerou manifestações populares em Assunção.

Investigação criminal e colapso financeiro

A crise ganhou contornos criminais quando o Ministério Público ordenou a detenção de oito executivos do banco durante a intervenção estatal, que agora respondem a acusações de fraude, quebra de confiança e gestão temerária. O colapso se instalou quando a solvência da empresa despencou para menos da metade do patamar legal exigido.

Maior emissor de cartões de crédito e gestor de cerca de US$ 850 milhões (R$ 4,7 bilhões) em recursos públicos, o Ueno deixou milhares de pessoas sem acesso aos saldos, incluindo aposentados que dependem de repasses do Estado.

Diante do impacto social e econômico, a administração federal tenta restabelecer a estabilidade e assegurar punição aos culpados.

“Tenham a certeza de que aqueles que forem considerados responsáveis por irregularidades deverão responder por seus atos perante a Justiça, sem exceções”, disse.

Fonte: G1 Economia