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Caderno Mercado

Crise nas big techs: tombo bilionário assusta investidores da bolsa

Crise nas big techs: tombo bilionário assusta investidores da bolsa

As empresas líderes em tecnologia estão destinando montantes cada vez maiores para impulsionar a corrida pela inteligência artificial (IA). Contudo, em vez de atraírem otimismo, esses aportes colossais geraram preocupação em Wall Street, com acionistas exigindo prazos claros para que tanto dinheiro resulte em lucros reais.

O impacto nos mercados financeiros Após revelarem seus balanços trimestrais, as ações da Alphabet sofreram uma derrocada de 12,64%, marcando o pior desempenho diário da companhia desde sua abertura de capital em 2004. O recuo provocou uma perda de US$ 493,9 bilhões em valor de mercado em apenas um pregão, montante superior à metade de toda a bolsa brasileira. O efeito cascata também atingiu a Amazon e arrastou os principais índices americanos para baixo, pressionando todo o setor de tecnologia e fabricantes de chips.

Fortunas de bilionários despencam A desvalorização repentina afetou diretamente o patrimônio pessoal de alguns dos empresários mais ricos do planeta. Larry Page e Sergey Brin, fundadores do Google, viram suas fortunas combinadas encolherem em US$ 60,7 bilhões, enquanto Jeff Bezos, da Amazon, registrou uma baixa de US$ 9,48 bilhões em seus bens estimados.

O peso dos gastos e a pressão por lucros O desconforto do mercado decorre da proporção astronômica dos investimentos direcionados à infraestrutura de IA, como a construção de data centers e a aquisição de semicondutores.

“O mercado continua confiante na demanda por inteligência artificial, como mostram os resultados crescentes da área de computação em nuvem. Mas os investidores passaram a cobrar mais das empresas: não basta anunciar grandes investimentos em IA, é preciso mostrar que eles estão se transformando em receita e, principalmente, em geração de caixa”, afirma Nickolas Lobo, especialista de investimentos da Nomad.

Para manter o ritmo acelerado de expansão sem comprometer totalmente o caixa operacional, corporações como a Microsoft passaram a recorrer à emissão de títulos de dívida e captação de recursos no mercado.

Especialistas avaliam os riscos do setor Apesar da volatilidade recente e do temor sobre uma possível supervalorização, especialistas ressaltam que a tecnologia possui fundamentos sólidos e utilidade prática comprovada na economia.

“A tecnologia é real, já está sendo utilizada e tem capacidade de transformar diversos setores da economia. O que considero exagerado são algumas expectativas de valorização”, afirma Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG).

“O vencedor da próxima etapa não será necessariamente quem investe mais, mas quem gera retorno sobre o capital investido”, conclui Lobo.

Fonte: G1 Economia