Butantã ganha ares de Pinheiros com arranha-céus e mercado imobiliário aquecido
A célebre frase do rapper Mano Brown sobre o mundo ser diferente “da ponte pra cá” ganha novos contornos na zona oeste de São Paulo. Ao cruzar o rio Pinheiros rumo à periferia, encontram-se vantagens como a ausência do rodízio municipal e o metro quadrado mais acessível. No entanto, caminhar pelo distrito do Butantã, especialmente na área que mais se verticaliza perto da ponte Eusébio Matoso, evoca uma forte sensação de familiaridade com o movimentado bairro vizinho.
O boom dos arranha-céus e edifícios corporativos
A paisagem local tem mudado rapidamente com a chegada de prédios altos e de uso misto, que combinam andares residenciais e lajes corporativas. Um dos principais exemplos é o River South, torre com design arrojado que se estreita na parte superior e concorre para virar o novo cartão-postal da região. Projetado pelo escritório Perkins & Will, o empreendimento possui 16 pavimentos residenciais acima de dez andares comerciais.
O projeto imobiliário “passou a fazer sentido investir lá”, como destaca André Pereira, CEO da Tellus, empresa responsável pelo imóvel.
O complexo conta com certificação “prime” de sustentabilidade e elevadores “super-rápidos”, integrando-se a outros empreendimentos pioneiros como o River One e o Pinheiros One. Essa guarnição arquitetônica foi impulsionada, em parte, pela Operação Urbana Faria Lima, que elevou o potencial construtivo da zona.
Mobilidade urbana e expansão comercial
O ponto de virada para a atração de capitais ocorreu com a confirmação da chegada da Linha 4-Amarela do metrô, cuja estação Butantã foi inaugurada em 2011. Além do transporte sobre trilhos, a região se beneficia da micromobilidade, estando ao lado da ciclopassarela Jornalista Erika Sallum e da ciclopassarela do rio Pinheiros.
Atualmente, o distrito conta com poucos edifícios comerciais, mas o mercado demonstra alta robustez. Dados da Urban Systems apontam que as lajes corporativas registraram uma valorização de 30% em um período de doze meses, mantendo a taxa de vacância estável em cerca de 16%.
Para os próximos anos, a AW Realty planeja adicionar outras duas torres mistas ao complexo, formando um novo distrito inspirado no Design District de Miami. O projeto prevê 18 mil metros quadrados de espaço corporativo e 238 apartamentos divididos em quatro tipologias, com o metro quadrado estimado em R$ 20 mil.
O conceito de wellness é um dos pilares do empreendimento planejado pela incorporadora. O foco no bem-estar se reflete na infraestrutura dos condomínios, que incluem quadras de tênis, beach tennis e piscina com raia de 25 metros, com comercialização prevista para iniciar em 2027.
Habitação popular e valorização dos imóveis
Apesar do avanço dos empreendimentos de luxo — impulsionados por um salto de 329% nos lançamentos de apartamentos nos doze meses até agosto —, a maior parte do mercado imobiliário do Butantã ainda atende a outro perfil. Cerca de 80% dos imóveis novos possuem teto de preço de R$ 400 mil, voltados fortemente para a habitação social.
Empresas como a Benx apostam nesse público com condomínios compactos na vizinhança. O produto tem atraído especialmente moradores finais, grande parte deles usuários da Linha Amarela do metrô, que agora podem viver mais próximos do centro expandido, conforme aponta Renato Galvão, diretor comercial e de novos negócios da Benx.
O incentivo ao transporte público reflete-se na baixa oferta de vagas de estacionamento nos novos prédios populares, calculada em apenas uma vaga para cada 28 apartamentos.
No mercado secundário, a startup Loft aponta uma alta de 13,9% no tíquete médio dos imóveis comercializados no primeiro semestre de 2026, com base no recolhimento de ITBI. Já o índice FipeZap revela que a valorização anual dos imóveis no distrito alcançou 5,1%, superando a média da cidade de 3,6%, com o metro quadrado de venda cotado a R$ 13.480.
Conhecido historicamente pelo centenário centro de pesquisa de imunizantes contra venenos animais e doenças, o Butantã mantém seus tradicionais serpentários como atrações turísticas, enquanto consolida sua nova fase de polo imobiliário e econômico na capital paulista.
Fonte: Folha - Mercado