Flávia Saraiva conquista bronze histórico na trave no Mundial de ginástica
A carioca Flávia Saraiva garantiu a terceira colocação na prova da trave de equilíbrio durante o Mundial de ginástica artística. No domingo (25), último dia de disputas em Roterdã, na Holanda, a atleta realizou uma sólida apresentação e assegurou a segunda medalha para a delegação brasileira no torneio.
Desempenho no pódio
No sábado (24), Rebeca Andrade já havia faturado a medalha de ouro no salto sobre a mesa. Desta vez, foi a vez de Saraiva subir ao pódio após iniciar com uma nota 6,100 de dificuldade e 8,200 de execução, alcançando o total de 14,300, mesmo com um leve desequilíbrio em um mortal lateral e na saída do aparelho.
O topo do pódio ficou com a argelina Kaylia Nemour, que registrou 14,566 — a mesma pontuação da chinesa Zhang Qingyng. O desempate na disputa dourada aconteceu justamente na nota de execução.
Histórico e novas conquistas
Esta representou a primeira medalha de Flávia Saraiva na trave em um Campeonato Mundial. Em 2023, na Antuérpia, ela já havia levado o bronze no solo e a prata por equipes. O currículo da ginasta também conta com um bronze por equipes nos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris.
“Lembro a menina de 16 anos em sua primeira final olímpica. E, mais de dez anos depois, obtive esta medalha na trave. A final é difícil, cada uma lutando por cada décimo. Fico feliz por ter batalhado pelo melhor. É uma honra representar o meu país e disputar entre as melhores”, disse a atleta ao SporTV.
“A final não tinha muita estratégia. Era fazer a série com o maior nível de dificuldade possível, porque a gente viu notas muito altas na etapa classificatória e sabia que seria assim. Sei que poderia ter sido um pouquinho melhor naquele desequilíbrio no mortal lateral, mas tem o nervosismo também, o estômago daquele jeito, a gente ansiosa para fazer o melhor”, acrescentou.
Participação brasileira no torneio
Na atual edição do Mundial, a equipe brasileira também alcançou a quinta colocação na disputa por equipes. Na final individual geral, Flávia terminou na 12ª posição e Lorrane Oliveira ficou em 21º lugar. O país não teve representantes nas decisões masculinas.
“A gente sai bem satisfeito. Tivemos uma boa estratégia para a Rebeca, a Flávia entrou com coragem para esta final. A gente sai feliz, com um parâmetro do que pode fazer, sabendo que pode melhorar com esta equipe”, afirmou Xico Porath, técnico do time verde-amarelo.
Olhar no futuro e retorno de Rebeca
O campeonato de 2026 serviu como etapa fundamental rumo aos Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles, permitindo avaliar o retorno de Rebeca Andrade às grandes competições após quase um ano de descanso físico e mental. A atleta optou por abandonar o solo para preservar os joelhos e, embora tenha errado na trave, confirmou o tricampeonato mundial no salto.
“O ouro mostrou que a gente tem feito as coisas da melhor maneira possível, está dando certo”, disse a guarulhense de 27 anos, que ainda trabalha para recuperar o mais alto nível. “Não fiz os saltos mais difíceis da minha carreira, mas eles foram suficientes para trazer o ouro. Estou bem feliz e orgulhosa.”
Fonte: Folha Esportes