Protestos em massa na Europa deixam rastro de confrontos e prisões
Manifestações contra o alto custo de vida, a perda de poder aquisitivo e a precarização dos serviços públicos mobilizaram multidões em cinco países europeus neste sábado (24), resultando em confrontos com forças de segurança e centenas de detenções.
Panorama das manifestações na Europa
Apesar de não integrarem um ato centralizado, as mobilizações refletem o descontentamento generalizado com a situação econômica e a condução governamental diante de desafios diários.
Cada nação apresentou demandas particulares: na França, exigências por verbas para escolas e serviços; na Itália, ações contra preços de combustíveis e inflação; na Bélgica, queixas sobre dívida e déficit elevados; na Espanha, a defesa de pensões públicas e habitação; e na Albânia, protestos anticorrupção com pedido de saída do primeiro-ministro Edi Rama.
Crise fiscal e endividamento recorde
O pano de fundo comum envolve a dificuldade estatal em atender às demandas sociais diante de orçamentos estrangulados. O endividamento público supera o PIB em territórios como Itália (139,9%), França (119,1%), Bélgica (110,2%) e Espanha (101,4%), segundo o Eurostat. Além disso, déficits e inflação acima da média europeia agravam o cenário financeiro das famílias.
Violência e prisões na França
Em território francês, onde os atos ocorrem há cerca de um mês, o Ministério do Interior contabilizou 410 mil participantes, enquanto sindicatos apontam o dobro. O ministro Laurent Nunez informou que quase mil pessoas foram detidas.
Após marchas pacíficas em Paris, capitais como Marselha e Lyon registraram quebra-quebra, fogueiras e uso de gás lacrimogêneo. Segundo Nunez, os policiais se depararam posteriormente com “um nível extremamente elevado de violência” por parte de grupos “de extrema esquerda”.
Confrontos em outros países
Na Itália, Milão teve ato pacífico, mas Turim registrou tumultos com uso de cassetetes pela polícia. Bruxelas, na Bélgica, viu policiais agredindo manifestantes com socos, chutes e cassetetes.
Em Tirana, capital da Albânia, manifestantes apedrejaram forças de segurança, que responderam com jatos de água. “Os albaneses acordaram”, disse o manifestante Daniel Tahiri, de 28 anos, que descreveu o governo como uma “ditadura com vestes de democracia”. Na Espanha, cerca de 25 mil pessoas protestaram pacificamente em Madri pela previdência pública.
Fonte: Mundo