Eleições 2026: saiba como funcionam as pesquisas presidenciais
Novos levantamentos de intenção de voto do Datafolha e da Quaest para o segundo turno da disputa presidencial serão divulgados neste sábado (24). As pesquisas, previstas para as 18h, representam os últimos termômetros dos institutos antes da votação oficial, que ocorre neste domingo (25).
O papel dos levantamentos na disputa
O objetivo principal de um estudo estatístico é capturar o clima da corrida ao Palácio do Planalto, registrando a temperatura exata da concorrência política em um determinado momento por meio da escuta direta do eleitor. O diretor da Quaest, Felipe Nunes, disse em entrevista ao Jornal Nacional que “pesquisas tentam identificar padrões para tentar antecipar movimentos que estão acontecendo na opinião pública”. Para alcançar esse objetivo, utiliza-se rigor científico, definindo previamente o público-alvo que representará o universo total de eleitores brasileiros.
Amostragem e probabilidade estatística
Como é inviável consultar todos os cidadãos aptos a votar no país, as entidades estabelecem critérios rigorosos para selecionar um grupo reduzido que reflita fielmente a população, chamado de amostra. Cálculos estatísticos justificam o fato de que a imensa maioria da população jamais participa desses estudos. Em uma cidade como São Paulo, que possui mais de 9 milhões de eleitores, a chance de uma pessoa ser escolhida para uma sondagem com 1,2 mil entrevistas é de apenas uma em 7.768, o que representa uma probabilidade extremamente baixa de 0,013%.
Para que um grupo tão pequeno consiga expressar o sentimento de uma metrópole inteira, a seleção é construída com base em informações oficiais de órgãos como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desse modo, o grupo consultado precisa espelhar exatamente as proporções demográficas locais em quesitos como faixa etária, gênero, nível de instrução e renda familiar.
Metodologias e o desafio da abstenção
Os procedimentos operacionais variam conforme a diretriz de cada empresa. Enquanto os pesquisadores da Quaest realizam visitas diretamente nos domicílios dos eleitores, os profissionais do Datafolha abordam o público nas ruas, em locais de grande circulação conhecidos como pontos de fluxo em cada município avaliado.
Um desafio recente enfrentado pelos estatísticos envolve o elevado índice de abstenção, que ultrapassou a marca de 31 milhões de pessoas, atingindo 20% do eleitorado no primeiro turno do pleito presidencial passado. Como é comum que um eleitor declare apoio a um candidato na entrevista, mas acabe não comparecendo às urnas, os questionários passaram a incorporar indagações adicionais para mensurar a real disposição de comparecimento no dia do sufrágio.
“A gente passou, desde 2022, a incorporar um modelo estatístico que ajusta a pesquisa exatamente à probabilidade de os eleitores irem ou não votar no dia da eleição. Esses modelos foram trazidos de estudos feitos nos Estados Unidos, onde o voto não é obrigatório”, conta Nunes. Além disso, a participação popular não pode ocorrer por iniciativa própria; a seleção dos entrevistados deve ser estritamente aleatória para garantir a credibilidade científica.
Diferença entre pesquisa e previsão
Apesar da crença popular, os levantamentos estatísticos não funcionam como uma bola de cristal para adivinhar o vencedor do pleito. O instrumento serve para fornecer retratos momentâneos da preferência popular até o instante final da votação, diferindo completamente de uma enquete, que carece de qualquer rigor metodológico ou critério científico de seleção.
Todo estudo baseado em amostragem possui uma margem de erro, obtida por meio de fórmulas matemáticas estritas. A precisão aumenta conforme o tamanho do grupo investigado cresce; portanto, uma sondagem com quinhentas entrevistas terá uma margem de imprecisão consideravelmente superior a outra que escute mil e duzentas pessoas. “A margem de erro é a segurança que o eleitor tem de que aquela informação foi calculada de maneira técnica e científica”, conclui Felipe Nunes.
Fonte: G1 - Política