EUA e Paraguai fecham acordo para usar energia de Itaipu em inteligência artificial
Um acordo firmado entre os Estados Unidos e o Paraguai prevê a utilização da energia gerada pela Usina de Itaipu para abastecer um ambicioso projeto de computação de alto desempenho voltado para a inteligência artificial. O anúncio oficial da parceria estratégica ocorreu sem mencionar o Brasil, país que compartilha a administração da hidrelétrica binacional.
Parceria tecnológica internacional
A aliança comercial foi oficializada durante a visita do vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, ao território paraguaio. O projeto une a companhia americana Crusoe e a empresa paraguaia Araico, ambas especializadas no desenvolvimento de infraestrutura voltada para o setor tecnológico.
A iniciativa tem como objetivo principal atender clientes de computação em nuvem localizados tanto nos Estados Unidos quanto na América Latina. A capacidade tecnológica projetada para a infraestrutura de TI pode alcançar a marca de 280 megawatts.
Localização estratégica ao lado da subestação
De acordo com as diretrizes do empreendimento, a instalação física será erguida estrategicamente ao lado da subestação da usina. Desta maneira, a estrutura terá acesso direto “a uma das maiores e mais confiáveis fontes de energia hidrelétrica 100% renovável do mundo”, conforme destacou a Crusoe em nota oficial.
A divisão de tarefas entre as empresas parceiras estabelece que a Araico ficará encarregada do desenvolvimento local e da infraestrutura da região vizinha à subestação. Em contrapartida, a corporação dos Estados Unidos assumirá a gestão, a operação e o fornecimento de toda a infraestrutura física de computação por meio da Crusoe Cloud.
Repercussão política e o Tratado de Itaipu
O presidente paraguaio, Santiago Peña, recebeu a autoridade norte-americana e celebrou o avanço tecnológico no país. A parceria “traz empregos, investimentos, tecnologia e inovação ao Paraguai e oferece um modelo escalável para promover mudanças significativas e duradouras”, afirma o comunicado da Crusoe.
“Este projeto tem o potencial de se tornar o maior investimento privado estrangeiro da história do Paraguai e reforça os fortes e duradouros laços entre nossos países”, afirmou Landau, dos EUA.
Em publicação no LinkedIn, a empresa paraguaia disse: “A tese é simples: desenvolver IA onde a energia é abundante e acessível. O Paraguai tem essa vantagem e, hoje, começa a transformá-la em crescimento industrial, empregos qualificados e liderança regional em infraestrutura de IA”.
Vale lembrar que a Itaipu Binacional está situada na fronteira entre o território brasileiro e o paraguaio. A administração da hidrelétrica é regulamentada pelo Tratado de Itaipu, datado de 1973, contando com uma cúpula administrativa formada por conselhos paritários e independentes nomeados por ambos os governos.
Aproximação com os Estados Unidos
A assinatura deste contrato acontece em um momento de forte aproximação diplomática entre o governo paraguaio e os americanos no setor de tecnologia. Recentemente, o Paraguai formalizou sua entrada como o vigésimo sexto signatário da Declaração Pax Silica, uma coalizão dos Estados Unidos focada na cooperação global de cadeias de suprimentos de inteligência artificial.
A adesão ao pacto ocorreu em Washington, com a presença do ministro das Relações Exteriores paraguaio, Rubén Ramírez, e do subsecretário de Estado para Assuntos Econômicos dos EUA, Jacob Helberg. O bloco econômico e tecnológico já conta com a participação de nações como Japão, Reino Unido, Coreia do Sul, Austrália, Índia, Israel, União Europeia, além dos vizinhos sul-americanos Argentina e Chile.
Fonte: Folha - Mercado