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Caderno Mercado

Justiça argentina identifica oito desaparecidos da ditadura em Córdoba

Justiça argentina identifica oito desaparecidos da ditadura em Córdoba

Autoridades judiciais da província de Córdoba confirmaram a identificação de oito pessoas dadas como desaparecidas durante o regime militar argentino, cujos restos mortais estavam ocultos em uma vala comum localizada em uma área do Exército.

Avanço na vala comum de Loma del Torito

O anúncio foi feito pelo juiz Hugo Vaca Narvaja em coletiva de imprensa que contou com a presença de parentes das vítimas. Com essa nova etapa, o total de identificações na região chega a 38 casos confirmados desde setembro de 2025.

A área onde os corpos foram achados é chamada de Loma del Torito e fica junto ao terreno que abrigou o centro clandestino de detenção e extermínio de La Perla até 1978. De acordo com entidades de direitos humanos, o regime civil-militar que vigorou entre 1976 e 1983 vitimizou cerca de 30 mil pessoas no total, sendo que entre 2.200 e 2.500 passaram por tortura e morte naquele espaço.

O trabalho de resgate e ocultação de provas

As descobertas decorrem do esforço técnico da Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF), responsável por resgatar centenas de fragmentos ósseos no terreno. Conforme as investigações da Justiça, os militares removeram os restos mortais de outros locais em 1979 com o objetivo de destruir evidências antes da visita da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, gerada por alertas internacionais.

Os nomes recém-revelados pertencem a quatro homens e quatro mulheres: Néstor Acosta, Pascual Ludueña, Claudio Nardini, Cecilia Pessina de Ávila, Mónica Protti de Guillén, Mercedes del Valle Ramírez, María Luisa Salto e Juan Carlos Soulier.

Depoimentos emocionados de familiares

Durante o evento, parentes compartilharam memórias sobre os sequestros ocorridos em 1976. Graciela Pessina, irmã de Cecilia — psicóloga levada aos 28 anos —, destacou o impacto da descoberta: “Isso mudou tudo, já não preciso provar que ela desapareceu, o osso fala”. Ela acrescentou que a localização ocorreu por meio de um osso da mão, “com a qual Cecilia escreveu contos na adolescência, desenvolveu trabalhos estudantis, tocou Mozart”.

Rosa Ludueña, sobrinha do sindicalista da Fiat Pascual Ludueña, desaparecido aos 29 anos, mencionou que a identificação de seu tio aconteceu por intermédio de um osso do pé, com o qual ele “deixou uma marca que espero que se estenda a todos os que ainda não compreendem a dimensão do que aconteceu”. Já Sebastián Soulier, que tinha cinco meses quando foi sequestrado com os pais e depois entregue aos avós, celebrou a confirmação sobre seu pai, Juan Carlos: “Estou muito emocionado. Há 50 anos estamos procurando, é uma conquista coletiva. Na minha família ainda há dois desaparecidos, meu tio Luis e minha mãe”.

A EAAF informou que as análises periciais prosseguirão até que todo o processo de identificação seja finalizado.

Fonte: Mundo