Orkut Büyükkökten articula retorno da rede social com foco em conexões humanas
O engenheiro de software turco Orkut Büyükkökten está encabeçando um movimento global para reviver a famosa rede social que marcou época no Brasil durante os anos 2000. O objetivo principal da iniciativa é resgatar a prioridade pelas conexões genuínas entre pessoas, deixando de lado a obsessão atual da indústria tecnológica pelo engajamento desenfreado.
Petição online busca apoio internacional Para viabilizar o retorno da plataforma, foi lançada uma petição online que já ultrapassou a marca de 467 mil assinaturas provenientes de 165 países. O Brasil se destaca como o principal apoiador da causa, concentrando 61,9% das adesões, seguido por Portugal e Irlanda. Büyükkökten explicou que o volume de assinaturas ajudará a acelerar o processo de relançamento, embora uma data oficial ainda não tenha sido divulgada.
Depois de anos afastado do projeto original — que funcionou sob o guarda-chuva do Google entre 2004 e 2014 —, o criador conseguiu recuperar recentemente a marca e a propriedade intelectual após longas negociações com a gigante da tecnologia.
Críticas severas às redes sociais modernas Junto com o manifesto de relançamento, o desenvolvedor publicou uma carta aberta criticando o rumo adotado pela indústria digital nas últimas duas décadas. Segundo ele, o ecossistema atual priorizou a captura de atenção em detrimento do bem-estar dos usuários, criando um cenário dominado por feeds contínuos e algoritmos de polarização.
O impacto da inteligência artificial O criador da plataforma também alertou que o avanço da inteligência artificial intensifica os problemas atuais, poluindo o ambiente virtual com robôs, conteúdos de baixa qualidade e deepfakes que eliminam a percepção de humanidade nas interações online. Como alternativa, a proposta é construir um ambiente digital baseado em comunidades que valorizem princípios como gentileza, amizade e confiança mútua.
Planos para jogos e sustentabilidade financeira Questionado sobre o retorno de clássicos recreativos, o engenheiro demonstrou entusiasmo em trazer de volta experiências interativas semelhantes aos antigos passatempos que fazia sucesso no passado, mas que foram abandonados pelas grandes plataformas atuais devido à otimização excessiva do tempo de tela.
No aspecto comercial, a nova estrutura pretende integrar marcas e pequenos negócios de forma orgânica, simulando interações cotidianas reais, distanciando-se do modelo atual baseado exclusivamente no lucro por cliques e tempo de uso.
Raio-X de Orkut Büyükkökten Com 51 anos de idade, o criador desenvolveu a rede social inicialmente como um projeto independente durante seus estudos na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, antes de o produto ser integrado ao portfólio do Google.
Fonte: Folha - Tecnologia