Futebol asiático declara apoio a Gianni Infantino para nova reeleição na Fifa
O presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), xeque Salman bin Ibrahim Al-Khalifa, manifestou apoio à recondução de Gianni Infantino ao comando da Fifa. A decisão ocorre em um cenário de reaproximação, apenas dois meses depois de a liderança asiática ter apontado uma “quebra de confiança” em relação aos planos de comercialização de torneios encabeçados pelo dirigente suíço-italiano.
Conflito anterior e retratação na Fifa A tentativa de atrair investidores privados para uma nova estrutura comercial gerou forte resistência em julho, resultando em exigências de renúncia. Na ocasião, o xeique Salman integrou o grupo de líderes da Uefa e da Concacaf que assinaram uma carta aberta de reprovação à conduta administrativa.
Posteriormente, durante encontro do Conselho da Fifa realizado em Zurique, Infantino apresentou pedidos de desculpas sobre a condução do projeto Fifa Forward Enterprise (FFE). Com o pleito marcado para março, a chancela do continente asiático ganha peso estratégico para a disputa eleitoral.
Alianças e discursos oficiais em Tóquio Durante o congresso extraordinário da AFC realizado em Tóquio, o dirigente bareinita confirmou a superação das divergências com o atual presidente da Fifa, que estava presente no evento.
“Acredito que reafirmamos nosso compromisso total, naturalmente, de apoiar você e sua liderança enquanto busca um novo mandato como presidente da Fifa”, declarou o xeique Salman.
O representante do futebol asiático também ressaltou a superação dos atritos passados e a importância da união institucional.
“Quero deixar claro: sim, tivemos algumas questões sobre as quais conversamos no passado, mas não vamos misturar as duas coisas”, acrescentou o bareinita, que também tentará conquistar um quarto mandato no ano que vem.
“Nos últimos dias, nós nos reunimos em Zurique. Você deixou claro que havia um entendimento verdadeiro e inequívoco entre nós. Precisamos seguir em frente. E acreditamos que o futebol é más forte quando trabalhamos juntos, com uma visão compartilhada e um propósito comum. Como uma única família asiática, estamos prontos para avançar, unidos em apoio a você, Gianni. Eu só queria deixar isso claro hoje.”
Resistência na Europa e cenário eleitoral Apesar do respaldo na Ásia e no continente africano, Infantino ainda enfrenta ressalvas na Europa. A Uefa enviou questionamentos formais à entidade global cobrando esclarecimentos sobre pontos como o projeto FFE e o Prêmio da Paz da Fifa.
O dirigente de 56 anos tenta assegurar um novo período à frente da instituição até 2031, com prazo limite para o registro de candidaturas fixado em 18 de novembro.
Reciprocidade e apoio mútuo Em resposta aos acenos da confederação asiática, Infantino elogiou a gestão conduzida no continente e garantiu retribuição ao comando local.
“Você vem fazendo um trabalho fantástico na AFC nos últimos 13 anos, meu caro Salman”, pontuou Infantino.
“Também fará um trabalho fantástico por quantos anos quiser. E sempre, sempre com meu total apoio, em parceria com a Fifa, porque vimos o que temos feito nos últimos anos.”
Ao comentar o desfecho do encontro, o mandatário da Fifa resumiu: “Sinto-me muito bem com o apoio da AFC”.
Posicionamentos regionais e próximos passos Embora potências regionais como Arábia Saudita e Catar já tenham manifestado respaldo ao atual presidente, existem nuances entre os 47 membros filiados. Tsuneyasu Miyamoto, presidente da Associação de Futebol do Japão, indicou alinhamento com a diretriz geral, mas ponderou que votações locais ainda demandam trâmites formais.
“Não creio que as opiniões dos integrantes da AFC estejam todas alinhadas, mas acredito que a AFC e a Fifa vêm realizando reuniões continuamente”, avaliou Miyamoto.
“Também sei que eles discutiram o assunto na recente reunião do Conselho da Fifa em Zurique. Portanto, acredito que esse apoio a Infantino seja resultado das conversas realizadas em várias ocasiões.
“Ele deixou claro que está retirando o FFE e que não pretende levar o projeto adiante. Também pediu desculpas por isso, então todos acreditaram em sua palavra.”
Fonte: Folha Esportes