Governo federal amplia combate a incêndios florestais no Pará
O poder público federal anunciou o endurecimento das medidas de contenção contra as chamas que atingem a vegetação paraense, direcionando esforços logísticos para a porção ocidental do estado.
Estratégia na região amazônica
O plano de contingência conta com a atuação de 522 brigadistas vinculados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de 41 carros e 13 aeronaves.
As frentes de trabalho estão concentradas na área conhecida como Chapadão, situada na divisa entre Santarém e Uruará, onde foram contabilizados 62 focos de incêndio próximos à rodovia PA-370 e à Transamazônica (BR-230). Para conter o avanço do fogo, seis aviões do tipo Air Tractor ficarão baseados em Santarém para realizar lançamentos de água.
Cenário de queimadas no estado
Conforme registros da plataforma Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Pará lidera o ranking nacional de ocorrências. Levantamentos apontam 321 eventos ativos espalhados por 76 cidades, enquanto o Inpe identificou 2.991 focos de calor entre os dias 14 e 20 de outubro — um acréscimo de 610 registros.
Investigações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima apontam que o fogo se concentra em invasões clandestinas localizadas em reservas legais e assentamentos da reforma agrária, locais onde ocorrem práticas ilícitas de manejo com uso intencional de chamas.
“Acionamos a Força Nacional de Segurança para auxiliar no trabalho dos brigadistas”, disse o ministro que relatou eventos para dificultar o trabalho dos brigadistas.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, informou que autoridades policiais apuram a suspeita de sabotagem e ação proposital na origem das ocorrências.
“Não estamos afirmando que há ocorrência direta [de incêndios criminosos], mas isto está sendo investigado”, resumiu o ministro.
Capobianco ressaltou que a colaboração da população é indispensável para conter o avanço das chamas, seja interrompendo o uso inadequado do fogo ou reportando suspeitos de crimes ambientais.
Emergência e repasses financeiros
O agravamento da crise climática motivou Altamira a decretar situação de emergência, abrangendo zonas urbanas, rurais e ribeirinhas. No total, 16 municípios paraenses adotaram o decreto devido à seca e às chamas, com outros sete pedidos aguardando validação federal.
Como resposta ao cenário crítico provocado pela escassez de chuvas associada ao El Niño, o executivo federal enviou ao Congresso a Medida Provisória (MP) 1398/26, que destina um crédito extraordinário de R$ 300 milhões no Orçamento para a Defesa Civil atuar na Amazônia.
“Estamos trabalhando nas ações preventivas em relação a esse fenômeno que vem tornando nossas florestas mais suscetíveis a incêndios desde 2024”, disse o ministro.
Fonte: Agencia Brasil