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Caderno Mercado

Gigantes chineses de baterias aceleram expansão global fora da China

Gigantes chineses de baterias aceleram expansão global fora da China

Enfrentando barreiras comerciais crescentes e medidas protecionistas em países ocidentais, companhias asiáticas estão construindo uma rede internacional de suprimentos para o setor de energia.

Investimentos bilionários na cadeia global Gigantes do setor como CATL, BYD, Gotion, CALB e Sungrow já comprometeram cerca de US$ 90 bilhões desde 2023 em operações no exterior. Desse total, US$ 52 bilhões foram direcionados para a fabricação de células e US$ 38 bilhões para a produção de insumos, com forte foco no Sudeste Asiático e na Europa.

A Europa desponta como um dos principais destinos para essas instalações fabris, somando US$ 31,5 bilhões em aportes recentes. Um exemplo recente ocorreu quando a Gotion anunciou que investirá mais de 1 bilhão de euros em uma joint venture com a Volkswagen para produzir baterias na Espanha, na Eslováquia e no Marrocos.

Desafios e regulamentações no mercado europeu Apesar do avanço, a construção de uma cadeia totalmente localizada na Europa enfrenta obstáculos como a escassez de conhecimento tecnológico e preços competitivos.

“Independentemente do que a regulamentação determinar, a CATL precisa localizar a produção dos principais componentes”, disse Zhu Lingbo, diretor de tecnologia da unidade de negócios internacionais da CATL.

“Ainda precisamos pensar em como ampliar a escala”, afirmou Matt Shen, diretor-geral da CATL para a Europa. “Normalmente, não se deveria comprar tudo de fora da Europa para produzir aqui —isso não é econômico viável.”

Impacto e barreiras nos Estados Unidos Enquanto a Europa tenta negociar a produção local, o acesso ao mercado norte-americano permanece incerto devido a tarifas elevadas e restrições de segurança nacional.

“Depender integralmente da China para o fornecimento de baterias e equipamentos elétricos é tão inaceitável quanto depender totalmente do petróleo da Arábia Saudita ou do Oriente Médio era há 20 ou 30 anos”, afirmou Tim Bush, analista do setor de baterias do banco UBS.

A expansão internacional também serve para absorver o excesso de capacidade produtiva no mercado interno chinês, garantindo a sobrevivência e a relevância dessas empresas no cenário energético global.

Fonte: Folha - Mercado