Pesquisa quaest aponta empate técnico e eleição presidencial mais acirrada da história
A disputa presidencial de 2026 segue extremamente equilibrada, consolidando-se como o pleito mais acirrado da história do país. É o que aponta a rodada mais recente da pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (21). Os candidatos Flávio Bolsonaro e Lula permanecem em empate técnico, mantendo um cenário de alta imprevisibilidade para a reta final da votação.
Cenário de empate técnico e margem de erro
De acordo com os dados apresentados, Flávio Bolsonaro registra 45% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 44% na simulação de segundo turno. Considerando o intervalo de confiança de 95%, a intenção de voto no candidato do PL varia de 43% a 47%, ao passo que o representante do PT oscila entre 42% e 46%. O percentual de eleitores indecisos pode alcançar a marca de 4%.
A variação entre as duas últimas rodadas do levantamento foi mínima, com a distância entre os concorrentes passando de dois para apenas um ponto percentual. Essa oscilação, no entanto, ocorre estritamente dentro da margem de erro, o que impede qualquer diagnóstico conclusivo sobre uma eventual vantagem definitiva ou guinada na preferência do eleitorado.
Retenção de votos e migração do eleitorado
A capacidade de fidelizar o eleitorado que votou nos candidatos no primeiro turno permanece em patamares elevados. Flávio retém 94% de sua base original, enquanto Lula assegura 95%. Entre os 9 milhões de eleitores que optaram por outras alternativas na etapa anterior — representando 6% do total —, a migração favorece mais o candidato do PL, que abocanha 43% desse grupo contra 37% destinados ao petista.
No segmento de eleitores que declararam abstenção, voto em branco ou nulo no primeiro turno, o comportamento é inverso. Dentre estes, 40% manifestam preferência atual por Lula, enquanto 36% direcionam o apoio a Flávio Bolsonaro.
Comportamento dos subgrupos e aumento da indecisão
A estabilidade prevalece na maior parte dos segmentos analisados, com exceção do eleitorado beneficiado por programas sociais. Neste grupo, que responde por 21% da amostra total, a vantagem de Lula sobre seu principal adversário sofreu ampliação, saltando de uma diferença de 29 pontos percentuais para 37 pontos percentuais.
No cenário espontâneo, no qual os nomes dos candidatos não são apresentados previamente aos entrevistados, ambos registram exatamente o mesmo patamar: 40% das intenções de voto. O dado mais chamativo nessa modalidade é a duplicação do índice de indecisão, que saltou de 7% para 14%.
Entre o eleitorado feminino, os dois concorrentes registraram recuo nas intenções de voto espontâneas, fazendo com que a taxa de indecisas chegasse a 17%. O fenômeno é ainda mais acentuado entre os eleitores independentes, pragmáticos e não ideológicos, cujo índice de indecisão disparou de 13% para 31%, evidenciando um claro descontentamento com as alternativas postas e com o tom adotado na campanha negativa.
Potencial de voto, rejeição e aprovação do governo
O potencial de voto de ambos os postulantes apresentou leve alta. O patamar de quem votaria com certeza em Lula subiu de 47% para 49%, e o de Flávio passou de 46% para 48%. Em contrapartida, os índices de rejeição registraram queda: a recusa ao nome do petista recuou de 53% para 47%, ao passo que a rejeição ao candidato do PL caiu de 54% para 52%.
Como trunfo final na disputa, a gestão federal utilizou a melhora na aprovação popular, impulsionada por um pacote de medidas e benefícios anunciados recentemente. Com isso, a avaliação positiva do governo atingiu seu melhor resultado desde o dia 14 de agosto, alcançando 46% de aprovação frente a 47% de desaprovadores.
A pesquisa Quaest ouviu presencialmente 2.154 pessoas entre os dias 17 e 20 de outubro. O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança estimado em 95%. O registro oficial do estudo junto à Justiça Eleitoral está protocolado sob o número BR-08535/2026.
Fonte: G1 - Política