Pular para o conteúdo principal

Caderno Mercado

Robôs de entrega de comida viram alvo de vandalismo nos Estados Unidos

Robôs de entrega de comida viram alvo de vandalismo nos Estados Unidos

Enquanto cruzam calçadas americanas transportando refeições e lanches, robôs autônomos controlados por inteligência artificial têm enfrentado uma onda de hostilidade, com pedestres derrubando, chutando e vandalizando as máquinas em diversas cidades dos Estados Unidos.

A escalada de agressões contra as máquinas

Em Los Angeles, um morador encontrou um robô caído de bruços com as quatro rodas tortas e precisou colocá-lo de volta em movimento. Apenas horas depois, o mesmo equipamento foi alvo de chutes de um pedestre. “Não foi a primeira vez que encontrei um deles virado”, disse Gonzalez. “Eu vinha vendo esse tipo de agressão com muita frequência.” Episódios semelhantes ocorreram em Miami, Sacramento e Filadélfia, onde ataques foram filmados e publicados nas redes sociais, acumulando milhões de visualizações com legendas como “Protegendo o mundo da IA”.

Frustração com a tecnologia e o mercado

Especialistas e autoridades apontam que a revolta reflete o temor crescente em relação ao avanço tecnológico e à substituição de postos de trabalho. “Como as pessoas estão cada vez mais atentas às grandes empresas e ao avanço da tecnologia de IA, elas sentem que essa é a forma mais próxima de reagir a tudo isso, além da internet”, disse. “As pessoas sentem que estão ficando para trás.” A busca por engajamento digital também impulsiona os atos. “Sabemos que conteúdos controversos geram cliques”, afirmou Lindsay Ouellette, professora de psicologia da Universidade La Salle, na Filadélfia.

Expansão do setor e resistência urbana

Atualmente, cerca de 5.000 robôs operam em dez regiões metropolitanas dos EUA em parceria com plataformas como DoorDash e Uber Eats, com projeção de alcançar 8.000 unidades e movimentar mais de US$ 5 bilhões nos próximos três anos, segundo Dan Ives.

Apesar de as empresas afirmarem que as máquinas foram desenhadas para parecer inofensivas, o design não evitou atritos. Ali Kashani, presidente-executivo da Serve Robotics, destacou que “o vandalismo e a aceitação social estavam entre nossas principais preocupações”. Além de sofrerem agressões, os robôs frequentemente provocam transtornos ao bloquear vias, colidir com veículos e apresentar falhas de funcionamento.

Regulamentação e reação política

A chegada repentina das máquinas gerou resistência em administrações locais. Representantes públicos apontam a falta de regulação e o sentimento de vigilância por parte dos moradores. “Como algo saído de um filme de ficção científica”, definiu o prefeito de Glendale, Ardashes Kassakhian. Em Chicago, o vereador Daniel La Spata destacou que os equipamentos “surgiram da noite para o dia”. Diante do cenário de insatisfação popular, propostas de limitação e avaliação de impacto já começam a tramitar em conselhos municipais. “Há muita gente insatisfeita”, disse Eunisses Hernandez, integrante do Conselho Municipal de Los Angeles. Hernandez acredita que essas pessoas estão “percebendo o que isso representa e vandalizando os robôs por frustração”.

Fonte: Folha - Mercado