Trump declara apoio a Netanyahu antes da eleição em Israel
O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump oficializou neste domingo (18) seu suporte público ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. A manifestação ocorre em um momento decisivo, às vésperas de uma disputada votação parlamentar na qual o chefe de governo israelense tenta assegurar sua continuidade à frente do poder.
Elogios públicos e exaltação da parceria militar
Em sua rede social, a Truth Social, o líder republicano definiu o político como um “grande primeiro-ministro guerreiro” e ressaltou a atuação conjunta no enfrentamento às forças de Teerã, incluindo os bombardeios executados contra território iraniano no mês de fevereiro.
“Bibi Netanyahu foi forte, corajoso e brilhante diante de uma oposição tremenda, inclusive aquela vinda do próprio Israel”, escreveu Trump em sua postagem.
Na sequência do texto, o político americano reforçou a resiliência do mandatário israelense perante os desafios geopolíticos recentes: “Apesar de tudo isso, ele perseverou e, na verdade, prosperou! Vi Bibi nos momentos mais difíceis. Homens ou mulheres comuns, em situações assim, teriam sucumbido à pressão — mas Bibi não sucumbiu. Na verdade, ficou ainda mais forte e mantém essa mesma Força hoje.”
A mensagem foi concluída com um direcionamento ao “Grande Povo de Israel”, no qual registrou: “Que esta Carta sirva para representar meu Apoio Completo e Total a Bibi Netanyahu em sua próxima disputa pela reeleição como primeiro-ministro de Israel.”
A resposta de Netanyahu e a busca pelo voto dos indecisos
Logo após a manifestação do aliado externo, Netanyahu utilizou as plataformas digitais para repercutir o endosso e convocar o eleitorado que ainda não definiu o voto. Ele destacou que a relação bilateral viabilizou “coisas maravilhosas” e pontuou que os dois países trabalharam lado a lado para conter o “eixo iraniano” e afastar os riscos nucleares iminentes.
Ao transformar a conexão com Trump em uma bandeira central de sua campanha, o premiê afirmou que essa colaboração deve durar “ou talvez antes” para consolidar os objetivos estratégicos de segurança. “Essa é a maior consideração”, afirmou o premiê. “Há outras coisas importantes, mas esta é a nossa própria existência.”
Netanyahu acrescentou que o norte-americano executará os planos pendentes “apenas se nós dois a fizermos juntos” e fez um apelo direto aos cidadãos: “Ouçam-no, ponderem estas coisas e votem em mim.” Na rede social X, o premiê ainda complementou: “Juntos, vamos completar a missão!”
Cenário político e indefinição nas urnas
Marcada para o dia 27 de outubro, a corrida eleitoral será a primeira realizada no país desde os atentados liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. O episódio desencadeou conflitos armados na Faixa de Gaza, no Líbano e atritos diretos contra o Irã, além de desorganizar a infraestrutura regional e o comércio global de energia ao longo de sete meses.
O apoio explícito vindo dos Estados Unidos, no entanto, traz resultados incertos para o partido Likud. Levantamentos de opinião indicam um cenário fragmentado, sem favoritismo evidente entre o bloco governista e legendas de centro. Como o sistema israelense depende da formação de alianças no Knesset (o Parlamento) para a escolha do premiê, e não do voto direto, a simpatia dos cidadãos por Trump arrefeceu diante de divergências estratégicas recentes.
Ao interferir no pleito do Oriente Médio, o ex-mandatário repete uma prática incomum na diplomacia tradicional dos Estados Unidos, somando este movimento a apoios declarados anteriormente em nações como Argentina, Japão, Hungria, Colômbia e Honduras.
Fonte: Mundo