Advogado, ex-deputado estadual e senador pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (PL), de 45 anos, disputa a Presidência da República contra Lula (PT). Como o filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL), ele iniciou sua vida pública muito cedo e construiu uma carreira focada na pauta da segurança pública.
Origens e formação acadêmica Nascido em 30 de abril de 1981 na cidade fluminense de Resende, Flávio passou os primeiros anos de infância em Nioaque, no Mato Grosso do Sul, devido ao serviço militar do pai. Posteriormente, a família se estabeleceu no Rio de Janeiro, onde ele cresceu imerso nas carreiras militar e política de Jair Bolsonaro. Na juventude, chegou a integrar as categorias de base do América no futebol de salão, mas optou por não seguir no esporte. Entre 2000 e 2002, conciliou a faculdade de direito e um estágio voluntário no Rio com um cargo de 40 horas semanais na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Ascensão na Assembleia Legislativa Influenciado pelo pai, entrou na política partidária em 2003, quando se elegeu deputado estadual mais jovem daquela legislatura aos 21 anos, conquistando 31.293 votos. Ao longo de quatro mandatos consecutivos na Alerj, exercidos até janeiro de 2019, dedicou grande parte de sua atuação à segurança pública e à defesa de prerrogativas policiais. Nesse período, também criou a Comissão Especial de Planejamento Familiar e expressou oposição às cotas raciais em universidades.
Homenagens e conexões políticas A atuação parlamentar de Flávio também gerou controvérsias devido a homenagens prestadas a figuras ligadas a milícias. Em 2003, apresentou moção de louvor a Adriano da Nóbrega e, anos depois, propôs a concessão da Medalha Tiradentes ao ex-capitão da PM, que na época estava preso sob suspeita de homicídio — acusação da qual acabou absolvido. O senador também homenageou o major Ronald Paulo Alves Pereira, apontado como liderança miliciana.
Passagem pela prefeitura e chegada ao Senado Depois de concorrer sem sucesso à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2016, terminando o pleito na quarta colocação com 424.307 votos, ele elegeu-se senador em 2018 com 4,38 milhões de votos. Já em Brasília, manteve a pauta da segurança como eixo central de seu mandato, atuando na restrição de saídas temporárias de presos e assumindo a presidência da Comissão de Segurança Pública em 2025.
Investigações e o caso das rachadinhas Durante a legislatura estadual, seu nome foi envolvido em suspeitas de desvio de salários em seu gabinete, esquema investigado na Operação Furna da Onça. O Coaf apontou movimentações atípicas nas contas de seu ex-assessor Fabrício Queiroz. O senador foi denunciado em 2020, mas o STJ e o STF anularam provas cruciais do processo, resultando no arquivamento da denúncia pelo Tribunal de Justiça do Rio em 2022.
Influência no governo federal e articulações Durante a gestão de Jair Bolsonaro, o senador converteu-se em um dos conselheiros informais mais próximos do pai e atuou como elo entre o Planalto e o Congresso. Já em 2026, seu nome voltou ao centro de debates políticos após revelações de diálogos de sua assessoria sobre o direcionamento de R$ 600 mil em emendas parlamentares para uma instituição ligada aos irmãos Brazão.
Corrida presidencial e novos inquéritos Com a condenação e prisão de Jair Bolsonaro por trama golpista, Flávio assumiu papel central como porta-voz da família e foi anunciado pelo pai como candidato ao Planalto no fim de 2025, superando a preferência do empresariado por Tarcísio de Freitas. Isolado na tentativa de alianças partidárias no primeiro turno, escolheu o deputado federal Alfredo Gaspar como vice. Paralelamente, passou a ser investigado em 2026 no inquérito que apura o financiamento do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro, com negociações de recursos junto a Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master.
Fonte: Política - Folha




