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Caderno Mercado

Carta de Flávio Bolsonaro gera crise política e revolta no Senado

Carta de Flávio Bolsonaro gera crise política e revolta no Senado

A carta divulgada pelo candidato derrotado nas eleições presidenciais, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após fugir do Brasil e seguir para os Estados Unidos provocou críticas no Senado Federal e manifestações de partidos nesta quarta-feira (28). O texto foi publicado em redes sociais e gerou forte mal-estar político.

Repercussão no Congresso Nacional

No documento inicial, o político derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno afirmou não reconhecer o resultado das urnas, alegou fraude sem apresentar provas e se autoproclamou “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito”. Posteriormente, Flávio apagou a postagem e substituiu os termos por “líder do Brasil” e “líder”. A fuga ocorreu enquanto ele descumpria uma ordem judicial para entregar seus passaportes e permanecer no país.

No plenário do Senado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) classificou a contestação como “ridícula” e afirmou que o resultado eleitoral já foi reconhecido por aliados do candidato derrotado.

“A gente precisa, de uma vez por todas, encerrar no Brasil esse circuito ridículo. […] É ridículo, o candidato a presidente derrotado, o partido reconheceu, o irmão dele estará aqui com a gente em fevereiro, eleito senador. Os governadores ligados ao candidato derrotado reconheceram. Isso não faz sentido. Causa um prejuízo imenso para o Brasil este tipo de situação”, afirmou.

“Sabemos que o presidente eleito pela quarta vez foi Lula”, acrescentou.

Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso Nacional, avaliou que a atitude configura uma “ofensa” às regras democráticas e criticou a busca por apoio estrangeiro.

“O derrotado nas eleições foge do país, em um processo que mais se assemelha a uma extração, vai para uma potência estrangeira e, de lá, passa a buscar que essa potência estrangeira não reconheça o resultado das eleições do último domingo”, afirmou.

“Eu achava que eles já tinham ultrapassado todos os limites. Mas isso é uma ofensa a tudo que foi construído neste país nos últimos 30, 40 anos”, completou.

Posicionamento dos partidos políticos

Blocos partidários também se manifestaram publicamente para defender o pleito. Em nota conjunta, PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT enfatizaram que a soberania nacional não pode ser violada.

“O Brasil não aceita interferência estrangeira em seu processo democrático”, declararam as legendas, acrescentando críticas à fuga e ao alinhamento com figuras internacionais.

O União Brasil reforçou a necessidade de virar a página. O presidente nacional da sigla, Antonio Rueda, pontuou que o processo ocorreu com lisura.

“Passada a eleição, é hora de encerrar a disputa e pensar nos enormes desafios que se colocam diante do nosso país. A eleição terminou. O Brasil continua, e precisa de todos nós”, afirmou.

O MDB reiterou sua confiança na lisura do pleito, enquanto o PSDB, por meio de Aécio Neves, apontou que a oposição deve fiscalizar o governo, mas sempre cumprindo as regras institucionais.

Reação de aliados e TSE

Mesmo dentro do PL, a repercussão foi de surpresa. O senador Rogério Marinho (PL-RN) tentou amenizar a situação ao afirmar acreditar ter “havido algum problema na confecção” do material. Outros aliados consideraram a autoproclamação absurda e apontam espaço para o protagonismo de Michelle Bolsonaro na oposição.

Por sua vez, o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ressaltou que a votação ocorreu dentro da mais absoluta normalidade e segurança jurídica.

Encerrando as discussões do dia, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ponderou que compreende o sentimento de revolta, mas apelou pelo respeito ao pleito.

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, concluiu.

Fonte: G1 - Política