A bancada evangélica na Câmara dos Deputados passou por uma profunda reestruturação após o pleito, evidenciando o desgaste de sua velha guarda. Desde a vitória de Jair Bolsonaro em 2018, cinco parlamentares se revezaram na liderança do bloco, mas apenas um deles conseguiu retornar ao Congresso nas eleições de 2026.
O revés da antiga liderança e dos veteranos
O único ex-presidente da bancada a garantir uma cadeira foi Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, eleito com a sétima maior votação no Rio de Janeiro com o apoio do pastor Silas Malafaia. Em contrapartida, o atual líder do grupo, Gilberto Nascimento, ficou como suplente em São Paulo. O mesmo destino tiveram Cezinha de Madureira e Silas Câmara, que acumulava quase três décadas de mandato pelo Amazonas, enquanto Eli Borges terminou em terceiro na disputa pelo Senado no Tocantins.
Outros nomes tradicionais também ficaram de fora de Brasília, como Otoni de Paula e o Pastor Eurico, que atuou como capelão nos cultos semanais da Câmara. No âmbito religioso e familiar, o missionário R.R. Soares lançou quatro filhos para diferentes casas legislativas, mas nenhum obteve êxito.
A força dos novos nomes e da extrema direita
Apesar das perdas na velha guarda, o cenário não foi de terra arrasada. Os deputados mais votados do país, Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, professam a fé evangélica, assim como André Fernandes, quarto colocado geral. Guilherme Kilter estreia na Câmara com 270 mil votos e revelou que entrou na política motivado por uma mensagem de Deltan Dallagnol enviada em 2023: “Nós precisamos da juventude conservadora na política”.
Do lado progressista e moderado, nomes com forte presença digital como André Janones e o Pastor Henrique Vieira mantêm seus mandatos. Já o Pastor Sargento Isidório destacou-se novamente na Bahia e declarou que segue “avante com Jesus”, definindo-se como alguém que não vê o eleitor lulista como “jegue” nem o bolsonarista como “gado”.
O papel da Universal e a análise dos veteranos
A Igreja Universal do Reino de Deus conseguiu emplacar aliados pelo Republicanos, como Marcos Pereira, Maria Rosas e Altair Moraes. Por outro lado, Marcelo Crivella terminou em sexto lugar na disputa ao Senado, atrás de Benedita da Silva, e Edna Macedo não conseguiu renovar seu mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo, deixando uma mensagem aos eleitores: pediu “a todos que caminharam comigo” para que “não fiquem tristes”, pois tem o “coração em paz” e confia “nos propósitos de Deus”.
Analisando o cenário, o deputado Marco Feliciano pontuou que “a renovação dos quadros políticos é normal em qualquer segmento” e avaliou que “houve uma avalanche conservadora e saímos muito fortalecidos. Em 2018, o povo só deu o queijo para Bolsonaro. Agora está dando o queijo e a faca para o Flávio.” Para especialistas, a derrota de figuras clássicas decorre da falta de traquejo digital e do avanço de influenciadores. “Influencers estão no dia a dia das pessoas”, reconhece Feliciano. “Isso ajuda muito na lembrança na hora do voto.”
Fonte: Política - Folha




