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Caderno Mercado

Lula rebate exigências de Flávio Bolsonaro sobre quebra de sigilo

Lula rebate exigências de Flávio Bolsonaro sobre quebra de sigilo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (21) que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) “trucou” ao colocar condições para a quebra de sigilo, e que o senador “não tem nenhuma carta boa, só tem mentira”.

A declaração foi dada durante um evento de campanha em Belo Horizonte, Minas Gerais, após o desgaste gerado pelo desafio mútuo entre os candidatos para a abertura de dados financeiros e fiscais dos últimos oito anos, abrangendo também familiares e pessoas próximas.

“Essa semana eu pedi para o Flavio abrir sigilo. Hoje ele inventou um monte de mentiras e trucou 6. Eu vou meter um 9 na cara dele amanhã. Vou meter um 9. Ele não tem nenhuma carta boa, só tem mentira. As cartas dele são todas falsas. Eu to com zap, sete copas, espada e ouro. E ainda tenho três de reserva. Ele vai saber o que é um campeão de truco que aprendeu a jogar como mineiro”, disse Lula.

Resposta oficial no TSE

Coordenadores da campanha informaram que o atual mandatário não se opõe às exigências feitas pelo adversário e que a equipe jurídica protocolará uma resposta formal no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 11h desta quinta-feira (22).

A polêmica ganhou força após o debate da Band e entrevistas em que Lula desafiou o oponente a abrir suas informações financeiras, resultando em uma contraproposta repleta de condicionantes por parte do parlamentar do PL.

Posição de Geraldo Alckmin

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) criticou as barreiras impostas pelo adversário político e defendeu maior rigor na transparência para ocupantes de cargos executivos no país.

“Eu acho até que quem é eleito presidente e vice-presidente não devia ter sigilo, nem fiscal nem bancário nem telefônico. Vida pública é pública, tem que ser transparente. Quem quer ter vida privada vai cuidar do setor privado. Agora não é possível ter vida pública e não prestar contas para a sociedade”, disse Alckmin na Casa de Portugal, na região da Liberdade.

Contexto das propostas e exigências

A proposta inicial da defesa do petista envolvia a abertura dos sigilos bancário, fiscal e eletrônico dos últimos oito anos, estendendo a medida à esposa, Janja, e aos cinco filhos: Lurian, Marcos Cláudio, Sandro Luís, Luís Cláudio e Fábio Luís (Lulinha). Em contrapartida, a cobrança exigia o mesmo de Flávio Bolsonaro, seus pais, irmãos e empresas do grupo.

Em resposta, a campanha do senador estabeleceu 19 exigências para aceitar o acordo, incluindo a abertura de sigilos de assessores como Marco Aurélio Santana Ribeiro (o “Marcola”), de empresas de familiares de Lula — como negócios de Lulinha e o Instituto Lula —, além da divulgação de registros de visitantes do Palácio do Planalto, dados sobre voos na FAB, gastos com cartão corporativo e agendas da primeira-dama.

Fonte: G1 - Política