Balanço da economia de lula 3: pib cresce, mas juros pesam
O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi marcado por expansão na atividade econômica, queda histórica no desemprego e avanço na renda média dos trabalhadores. Apesar desses indicadores favoráveis, o governo enfrentou grandes dificuldades políticas, culminando em uma vitória apertada sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial.
Os limites do crescimento econômico
Especialistas apontam que o crescimento do Produto Interno Bruto não se refletiu em uma percepção generalizada de prosperidade financeira. A alta no custo de vida, o peso das dívidas e as taxas elevadas de juros continuaram a sufocar o orçamento das famílias brasileiras.
Para Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, os dados consolidados mascaram desigualdades profundas entre os diversos setores produtivos e estratos sociais.
“O PIB é uma média que reúne setores e famílias que estão, digamos, uns no micro-ondas e outros que estão no freezer. A média parece boa, mas não necessariamente está melhor para todo mundo.”
O impacto do endividamento e a pressão fiscal
O comprometimento da renda com o crédito tornou-se um obstáculo crítico. No início do segundo semestre, as famílias destinavam uma fatia expressiva de seus ganhos mensais para quitar débitos, enquanto os programas de renegociação, como o Desenrola, trouxeram alívio pontual sem resolver a raiz do problema do crédito caro.
Na área fiscal, a dificuldade do governo em controlar despesas obrigatórias gerou déficit primário e elevou a dívida pública. Essa dinâmica, somada à expansão de gastos nos primeiros anos sem receitas permanentes correspondentes, influenciou a manutenção de taxas de juros elevadas pelo Banco Central.
Silvia Matos resume a estratégia inicial da gestão:
“O governo entrou com acelerador a mil, tendo os gastos da PEC da Transição sem assegurar de onde viriam as receitas para financiá-los. Ele já entrou com um buraco fiscal muito maior para o período de quatro anos.”
Avanços estruturais e barreiras na indústria
Apesar dos desafios fiscais, medidas como a reforma tributária e a manutenção da autonomia do Banco Central sob a presidência de Gabriel Galípolo receberam avaliações positivas dos analistas. Por outro lado, a política industrial sofreu com a falta de competitividade externa decorrente dos juros altos e da valorização cambial.
No aspecto político e social, a polarização e a distância entre as expectativas da população e a realidade econômica pós-pandemia ajudam a explicar a complexidade do cenário enfrentado pelo Palácio do Planalto na busca por apoio popular.
José Luis Oreiro destaca a frustração coletiva em relação ao padrão de vida anterior:
“As pessoas estavam muito esperançosas que ele retornaria com a prosperidade do governo Lula 1 e 2, até do governo Dilma 1. Houve uma frustração de expectativas: melhorou, mas não o que as pessoas esperavam. Os brasileiros lembram de como era bom em 2011 e 2012, e ainda não voltaram àquele padrão.”
Fonte: G1 - Política