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Caderno Mercado

Governo Lula vê cerco contra o Brasil na iniciativa Escudo das Américas de Trump

Governo Lula vê cerco contra o Brasil na iniciativa Escudo das Américas de Trump

O Escudo das Américas, iniciativa lançada pelo presidente Donald Trump, representa uma tentativa de impor um “cerco” e uma “dominação absoluta” contra o Brasil sob o argumento “falso” de combater o crime organizado. A avaliação foi feita por Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais.

Coalizão regional e sanções

A aliança articula presidentes latino-americanos alinhados aos Estados Unidos, como Javier Milei (Argentina), Abelardo de la Espriella (Colômbia) e Nayib Bukele (El Salvador). Em resposta a um pleito de Washington, o bloco firmou um pacto para classificar facções criminosas como “ameaças compartilhadas”, impondo-lhes sanções.

A proposta coloca 24 grupos na mira, incluindo as organizações brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A postura de classificar tais facções como terroristas já havia sido rechaçada por membros do governo brasileiro, que sustentam que a medida falha em solucionar a criminalidade.

Em entrevista recente ao canal Tutaméia, no YouTube, Celso Amorim criticou duramente a estratégia norte-americana:

“Agora, sim, nós sofremos ameaça. Veja bem, essa questão do Escudo das Américas põe o Brasil em cerco, cercado com base em argumento falso, que é tratar a questão do crime organizado como se fosse terrorismo internacional. […] Na realidade, é um esquema de dominação absoluta”, declarou o assessor especial.

Preocupação no Planalto e motivações

No Palácio do Planalto, a avaliação interna é de que o projeto liderado por Trump é “muito grave” e funciona como uma “porta de entrada” para intervenções militares na América do Sul, a moldes do visto na Venezuela e na Colômbia.

Enquanto figuras como Milei, Bukele e Espriella aderiram por fidelidade automática à Casa Branca, o governo brasileiro aponta que outras nações, a exemplo de Equador, Paraguai e Panamá, integraram a coalizão por cálculos políticos, buscando verbas ou tentando afastar ameaças militares em seus territórios, mesmo desejando manter boas relações com o Brasil.

O papel dos tarifaços comerciais

Além da coalizão de segurança, o governo brasileiro interpretou as barreiras alfandegárias impostas pelos Estados Unidos como uma tática de pressão política. A Casa Branca implementou duas taxações principais: uma alíquota de 25% sob a justificativa de práticas desleais em setores como etanol, PIX, desmatamento e propriedade intelectual, e outra de 12,5% alegando falhas no combate a produtos associados ao trabalho forçado.

Equipes de negociação do Brasil apontam que os argumentos norte-americanos careciam de embasamento e ignoraram dados oficiais, apontando inclusive falsidades, como a premissa de déficit comercial com o Brasil — quando, na verdade, os Estados Unidos registram superávit na balança bilateral.

Sobre as sanções econômicas, Amorim reforçou a leitura política do episódio:

“O tarifaço não foi uma medida econômica, tanto que eles tiveram que voltar atrás de algumas porque a própria Suprema Corte disse que eram ilegais. O tarifaço foi uma medida de intimidação. A gente procura tentar levar isso de uma maneira como se fosse para poder negociar alguma coisa, mas na realidade é uma medida de intimidação”, afirmou o assessor.

“É que o Lula e o Alckmin não têm medo de tarefas difíceis, eles enfrentam. Essa é a questão. E eles [EUA] querem alguém que se acomode e faça o que eles querem, pra ser um grande Porto Rico, com todo respeito ao povo de Porto Rico”, concluiu.

Fonte: G1 - Política