Da química inicial ao tarifaço: os altos e baixos de Lula e Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou o resultado da reeleição brasileira, afirmando que o 2º turno “pareceu mais uma eleição fraudada”, embora tenha ponderado logo em seguida que afirma “gostar de Lula”.
A montanha-russa geopolítica entre Brasília e Washington A diplomacia entre os dois governos tem alternado momentos de trégua e fortes atritos desde a vitória do republicano no final de 2024, período que exigiu do Palácio do Planalto cautela e estratégias de negociação para conter crises econômicas e institucionais.
O primeiro grande embate comercial A tensão diplomática atingiu o ápice em julho de 2025, quando a Casa Branca impôs uma sobretaxa de 40% sobre mercadorias brasileiras, motivada por críticas ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. Em resposta, o governo brasileiro afirmou que o Brasil “não aceitaria ser tutelado por ninguém” e acionou mecanismos de defesa comercial.
A trégua momentânea e o diálogo na ONU O cenário mudou em setembro de 2025, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), quando os líderes tiveram um contato informal em Nova York. Na ocasião, o republicano destacou que teve uma “ótima química” com o brasileiro, declarando: “Ele parece um cara muito legal, ele gosta de mim e eu gostei dele. E eu só faço negócio com gente de quem eu gosto”
O diálogo evoluiu para telefonemas e uma reunião oficial na Malásia, culminando na revogação da taxa de 40% meses depois. Sobre o recuo americano, o petista celebrou o desfecho afirmando que “a derrubada da taxa de 40% imposta pelo governo norte-americano a vários produtos agrícolas brasileiros é uma vitória do diálogo, da diplomacia e do bom senso”.
Novos atritos, tarifas e reações do Planalto O clima cordial esfriou novamente em meados de 2026, com o anúncio de novas taxas protecionistas baseadas na legislação comercial americana. Diante do cenário adverso, o presidente brasileiro minimizou o impacto das sanções em um evento oficial, declarando que “há males que vêm para o bem” e que a sociedade nacional encontrará caminhos para se fortalecer comercialmente.
O desgaste também se aprofundou com divergências na segurança pública e exigências sobre o pleito nacional. Questionando as pressões externas e a postura da Casa Branca em relação às facções criminosas e às diretrizes eleitorais, o mandatário brasileiro rejeitou o enquadramento e enfatizou: “Nós precisamos ganhar do crime organizado. E eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump”
O descontentamento com a postura da administração norte-americana culminou em duras críticas públicas feitas à rede CNN Internacional, onde o chefe do Executivo brasileiro comparou a conduta do republicano à de soberanos antigos ao afirmar: “Ele age como imperador. É um jeito de governar que eu não concordo. Quando você diz: ‘Eu sou forte, eu sou o maior, eu sou o mais rico, eu posso tudo e o restante tem que obedecer’… É a chamada lei do mais forte, eu não concordo com esse tipo de lei”
A sucessão de episódios contraditórios evidencia que a convivência entre as duas maiores potências do continente permanece instável, alternando pragmatismo econômico e choques ideológicos profundos.
Fonte: G1 - Política