A força do coletivo na corrida e a indicação ao Grammy da Orquestra Tom Jobim
Duas reflexões marcaram os debates recentes sobre a sociedade brasileira: a urgência de retomar o controle nacional sobre setores estratégicos da comunicação, atualmente dominados por companhias estrangeiras, e a constatação de que vivenciar a união coletiva provoca uma sensação indescritível de êxtase.
O espírito comunitário na corrida de rua
Embora seja essencialmente uma modalidade individual, a corrida de rua revela uma forte essência comunitária através do incentivo mútuo entre os atletas e do entusiasmo espontâneo do público nas vias públicas. O impulso para manter a rotina de treinos e superar metas cresce exponencialmente quando os praticantes se reúnem com outros que compartilham dos mesmos objetivos.
O treinador Ademir Paulino, representante da marca esportiva africana Enda e figura frequente no Quênia e na Etiópia, aponta que o sucesso e o elevado nível competitivo dos atletas desses países africanos decorrem dos treinamentos em grupo, que reúnem centenas de pessoas todos os dias. Segundo o profissional, essa dinâmica gera um forte sentimento de pertencimento, definido por ele como espírito tribal.
No cenário nacional, mobilizações recentes reuniram corredores em percursos curtos por diversas cidades em demonstrações políticas, evidenciando como a união em torno de uma causa comum transcende o objetivo puramente esportivo e desperta orgulho na multidão.
A harmonia coletiva no esporte e na música
A beleza da ação conjunta também se manifesta em outras áreas, a exemplo do esporte náutico, onde a perfeita sincronia entre os remadores em uma embarcação define o sucesso do deslocamento. Essa sintonia coletiva evoca memórias da prática de remo na raia olímpica da Universidade de São Paulo e se conecta diretamente à sonoridade da Orquestra Jovem Tom Jobim.
H2: Orquestra Jovem Tom Jobim no Grammy Latino Fruto da educação pública e gratuita em São Paulo, o grupo musical oferece bolsas de estudo a jovens talentos que deixam a formação ao completarem 25 anos, transformados pela experiência. Sob a regência de Nelson Ayres e Tiago Costa, a instituição concorre ao Grammy Latino de melhor álbum de música clássica.
A formação brasileira disputa o prêmio com gigantes internacionais, incluindo as filarmônicas de Londres e Los Angeles, a Sinfônica de Londres e a Orquestra Simón Bolívar, ligada ao projeto venezuelano “El Sistema”. Independentemente do resultado da premiação, a indicação consolida uma trajetória marcante para a orquestra, que se prepara para apresentações em dezembro no Theatro São Pedro com repertório dedicado a clássicos do choro.
Fonte: Folha Esportes