Lula vê mobilização inédita nas eleições e chama rival de mentiroso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na manhã deste domingo (25), que nunca viu uma mobilização popular como a que acompanhou durante a campanha do segundo turno das eleições de 2026. Ao sair de residência no Alto de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, o chefe do Executivo conversou com jornalistas e apoiadores antes de seguir para São Bernardo do Campo, onde registrou seu voto.
Cinco décadas de vida pública
Aos 80 anos, o petista destacou que acompanha corridas presidenciais desde 1989, mas jamais presenciou nível semelhante de apoio popular nas ruas do país.
“Eu estou com 80 anos, participo da vida política há 50. Já participei da campanha de 89, participei de todas as campanhas presidenciais. Eu, sinceramente, nunca vi nada igual”, afirmou o presidente.
O candidato à reeleição mencionou atos expressivos em estados como Bahia, Maranhão, Pará, Pernambuco e Minas Gerais, além de destacar a concentração histórica registrada na Avenida Paulista no dia anterior.
“Acho que a Avenida Paulista nunca recebeu a quantidade de gente participando de um ato público”, declarou, acrescentando que votaria com sentimento de profunda gratidão pelos eleitores. “Eu vou votar agradecido ao povo brasileiro. O que o povo fez comigo nesses dias é uma coisa que não tenho como pagar. É muita generosidade, é muito carinho, é muito amor. Eu serei eternamente grato”.
Críticas ao adversário
Durante a conversa com a imprensa, o mandatário direcionou críticas severas ao seu oponente na disputa pelo Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
“Nós estamos disputando as eleições com um cidadão chamado mentira. Ele não é capaz de dizer uma verdade”, disparou, expressando confiança na escolha dos eleitores: “Por the que eu acho que o povo não vai eleger um mentiroso”.
Panorama do segundo turno
O pleito deste domingo ocorre em um cenário de forte acirramento. Com 80 anos, Lula busca o quarto mandato presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro na disputa mais apertada da história republicana brasileira.
Pesquisas de intenção de voto divulgadas na véspera pelo Datafolha e pela Quaest apontam empate técnico na reta final, com o candidato do PL registrando 51% dos votos válidos e o atual presidente somando 49%, ambos dentro da margem de erro.
Estratégia e reviravoltas na campanha
No primeiro turno, o parlamentar liberal terminou à frente na contagem de votos, o que exigiu mudanças imediatas na rota da campanha petista. A distância entre os concorrentes foi a menor já documentada desde a redemocratização, com 47,03% para o senador contra 45,16% do chefe de Estado, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para reverter o quadro, a coordenação estratégica foi reforçada com a entrada de nomes do Nordeste, como o senador Camilo Santana, o senador eleito Rui Costa e o governador reeleito Rafael Fonteles. Na frente digital, a campanha adotou novas abordagens, incluindo maior proximidade com influenciadores, a criação de conteúdos em formato de vídeo curto e a consolidação do canal “Exército do Lula” no WhatsApp, liderado pelo deputado federal André Janones.
No âmbito legislativo, a base governista garantiu vitórias importantes, a exemplo da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1. Paralelamente, a equipe econômica implementou cortes de impostos sobre combustíveis, anunciou o perdão de bilhões em débitos tributários para microempreendedores individuais e prometeu a extensão do programa Pé-de-Meia para estudantes universitários.
Fonte: G1 - Política