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Caderno Mercado

Aliados cobram pronunciamento de Lula para acalmar mercado e afastar boatos econômicos

Aliados cobram pronunciamento de Lula para acalmar mercado e afastar boatos econômicos

Após turbulências recentes envolvendo propostas de alteração na condução financeira do país, a base de apoio do presidente Lula quer que o chefe do Executivo aproveite seu próximo pronunciamento oficial para assegurar o equilíbrio fiscal e afastar qualquer expectativa de medidas heterodoxas no setor.

Rumores de mudança geram alerta em Brasília O centro das discussões surgiu quando circulou a informação de que Lula poderia se reunir com André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. O objetivo do encontro seria debater uma proposta para derrubar a taxa de juros a 7,5% ao ano e estabelecer tetos fixos para a inflação e para a Selic.

Contudo, a ideia foi prontamente rechaçada por Dario Durigan, que negou a realização da reunião e assegurou a manutenção das diretrizes atuais. A proximidade de Aloizio Mercadante com o economista gerou especulações de que o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) faria a ponte para a conversa, mas o dirigente também negou qualquer agenda marcada.

Ajuste fiscal e preservação de benefícios Para contornar o cenário, Dario Durigan tem afirmado que vai apresentar, em breve, medidas ao presidente Lula para garantir o cumprimento do centro da meta fiscal do próximo ano, que é de superávit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O plano consiste em promover um reequilíbrio gradual ao longo do quadriênio, evitando cortes abruptos que prejudiquem iniciativas assistenciais.

Em manifestação nas redes sociais, o chefe de Estado assegurou que sua gestão vai preservar todas as iniciativas de transferência de renda e honrar os compromissos assumidos na campanha, período em que turbinou o Bolsa Família e estendeu vantagens aos microempreendedores individuais.

Lições do passado e estabilidade Analistas econômicos alinhados ao governo ressaltam que os anos de ouro dos primeiros mandatos do petista ocorreram justamente porque houve adesão rigorosa ao tripé de ajuste fiscal e superávits primários, fórmula que derrubou os juros e impulsionou o avanço do PIB. Em contrapartida, avaliam que a adoção de diretrizes alternativas no período de Dilma Rousseff resultou em graves crises.

A lembrança remete à nova matriz de política econômica defendida pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Na época, o Banco Central reduziu a taxa de juros para 7,25% ao ano, mas não fez um ajuste fiscal, pelo contrário, aumentou suas despesas. O desfecho culminou em recessão, desemprego em alta e no enfraquecimento político que precedeu o impeachment de 2016.

Fonte: G1 - Política