Advogado lidera apostas no país e entra na mira da Polícia Federal
Documentação técnica elaborada pela Secretaria de Prêmios e Apostas, ligada ao Ministério da Fazenda, revelou que o advogado Willer Tomaz de Souza registrou o maior volume de apostas esportivas em todo o território nacional durante o ano de 2025, atingindo a marca de R$ 5 bilhões.
Investigação sobre lavagem de dinheiro A Polícia Federal apura se o operador jurídico utilizou plataformas de apostas de quota fixa para ocultar valores e realizar transações financeiras atípicas. No período compreendido entre janeiro de 2025 e julho de 2026, os montantes apostados chegaram a R$ 6,6 bilhões, resultando em um prejuízo acumulado de R$ 188,5 milhões para o apostador.
Movimentações financeiras e falhas na plataforma Registros fornecidos pela própria operadora Blaze apontam que foram depositados mais de R$ 258 milhões e sacados R$ 200 milhões ao longo de 2025, montante que saltou para R$ 325 milhões em aportes quando considerado o ano seguinte, conforme aponta a defesa em ação judicial. A fiscalização governamental destacou que a casa falhou nos mecanismos de prevenção a crimes financeiros ao não emitir alertas diante de um volume tão expressivo de recursos.
“Essa pessoa foi a que teve o maior volume total de depósitos em plataformas de quota fixa no Brasil em 2025, sendo que o valor por ela depositado constituiu quase o dobro do valor depositado pela pessoa que figurou como segunda colocada nesse ranqueamento”.
Comportamento suspeito e classificação de risco O relatório ministerial detalha episódios de fracionamento de capital, como 14 depósitos de R$ 500 mil realizados no dia 30 de outubro de 2025, seguidos por 12 saques de mesmo valor em um intervalo de apenas 18 minutos no dia seguinte. Apesar disso, a empresa classificou o perfil como de “risco médio”, gerando questionamentos do órgão regulador sobre a falta de rigor na checagem de antecedentes e na compatibilidade patrimonial.
“Essa constatação se torna ainda mais flagrante ao identificar-se que o cliente em questão também poderia se enquadrar na categoria de risco máximo utilizada pela empresa (‘crítico’), em razão de nela constar o elemento da ‘potencial violação sistêmica da legislação aplicável’, dado que uma rápida pesquisa em fontes abertas na internet mostra que o cliente já esteve detido sob suspeita de corrupção; e ainda o elemento da ‘incompatibilidade manifesta entre capacidade econômico-financeira e volume de operações’, haja vista a debilidade da empresa em avaliar essa capacidade”, diz o texto.
A pasta federal também avaliou que a conduta da casa de apostas pode indicar responsabilidade jurídica por omissão na fiscalização.
“Sendo praticamente impossível que uma empresa não identifique que um de seus clientes, por exemplo, operou e pode ainda estar operando movimentações na ordem dos bilhões de reais, parece haver indícios de culpa ou dolo”, afirmou.
Conexões com outras investigações O investigado também figura em apurações da Operação Sem Desconto, que examina fraudes em benefícios do INSS, além de responder a inquérito no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro ao lado do senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro.
Fonte: G1 - Política