Seca extrema coloca hidrovias da Amazônia e Pantanal em alerta para o transporte
As principais vias fluviais da Amazônia e do Pantanal ingressaram em nível de alerta para a circulação de embarcações de carga e de passageiros devido à estiagem severa que afeta o país.
Cenário nas bacias hidrográficas Um levantamento elaborado pelo Ministério de Portos e Aeroportos aponta que o rio Madeira terminou setembro abaixo da marca de referência para o início das restrições de navegação, enquanto o Tapajós registra profundidades próximas de 3 metros e o Paraguai enfrenta persistência de seca extrema.
O documento foi produzido pela Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação com base em dados de monitoramento coletados até o início de outubro. A previsão de volumes reduzidos de chuva para os próximos meses em áreas da Amazônia amplia a apreensão em relação a esses corredores logísticos, fundamentais para a exportação de grãos e minérios, além do suprimento de municípios isolados.
Impactos e rotas comerciais O rio Madeira, que conecta Porto Velho ao rio Amazonas e serve de escoamento para a safra do Centro-Oeste, movimentou 12,1 milhões de toneladas de soja e milho, além de combustíveis e itens essenciais. No fim de setembro, a estação de Porto Velho registrou 3,07 metros, ficando acima da cota de paralisação de 2 metros, mas abaixo do limite de 4 metros que aciona as restrições operacionais.
Apesar do quadro atual, os níveis permanecem superiores aos observados no mesmo período de 2024, com expectativa de reversão e início da subida das águas em outubro.
No rio Tapajós, pontos cruciais como Itapaiúna e Monte Cristo marcaram profundidades inferiores a 3 metros no final de setembro. A hidrovia escoa a produção agrícola que chega por caminhões pela BR-163, tendo movimentado 2,38 milhões de toneladas no primeiro bimestre do ano, com forte predominância de soja e milho. O setor produtivo estima que dificuldades logísticas e a falta de dragagem possam gerar impactos bilionários na cadeia, obrigando a migração de cargas para rodovias.
Situação no Pantanal e previsões Na bacia do Paraguai, o cenário é de seca extrema, com estações em Cáceres, Ladário e Porto Murtinho apresentando marcas bem abaixo da mediana histórica para o período. A via fluvial conecta cargas a portos na Argentina e no Uruguai, tendo sofrido forte retração na movimentação durante a estiagem do ano anterior.
As projeções oficiais para o trimestre indicam menor volume de chuvas na Amazônia e tendência de redução gradual na oferta hídrica nas bacias dos rios Madeira, Negro e Tapajós.
Medidas governamentais Diante do cenário, o Ministério de Portos e Aeroportos destacou que mantém contratos de dragagem preventiva para assegurar a navegabilidade.
“Como se trata de dragagem de manutenção, não há aprofundamento do leito, mas apenas desassoreamento de alguns trechos que podem afetar a navegação. Desta forma, há segurança e autorização para navegação até que se atiginjam o nível mínimo, quando, então, avalia-se a necessidade de alívio de carga ou de interrupção das operações de transporte de carga”, afirmou a pasta.
A atuação abrange contratos de obras e supervisão nos rios Amazonas, Solimões, Madeira e Paraguai, enquanto a intervenção planejada para o Tapajós foi suspensa pelo governo federal após análises técnicas e diálogo com comunidades tradicionais.
Fonte: Folha - Mercado