Fim da era cripto: o balanço dos anos do bitcoin em El Salvador
Cinco anos após o presidente Nayib Bukele transformar El Salvador na primeira nação do mundo a adotar a criptomoeda, o dólar americano voltou a ser a única moeda oficial obrigatória. O ambicioso plano de construir uma cidade futurista abastecida por energia vulcânica nunca saiu do papel, enquanto a aceitação da moeda digital tornou-se facultativa no território salvadorenho.
O início da experiência cripto A iniciativa teve início em junho de 2021, quando o parlamento aprovou a lei para tornar a criptomoeda uma moeda legal ao lado do dólar. A promessa oficial era de que a medida traria prosperidade, liberdade econômica e inclusão financeira para a população.
O governo argumentava que a inovação reduziria as taxas de envio de remessas do exterior e facilitaria o acesso de trabalhadores informais ao sistema financeiro. Para incentivar o uso, o Estado distribuiu bônus de 30 dólares em uma carteira digital chamada Chivo para os cidadãos.
A resistência popular e a baixa adesão Pesquisas realizadas pouco tempo depois já indicavam o ceticismo dos moradores, com a maioria apontando que a medida não trazia benefícios econômicos reais. Dados coletados anos mais tarde revelaram que a grande maioria da população simplesmente deixou de utilizar a tecnologia no dia a dia.
Especialistas apontam que o diagnóstico inicial do governo estava equivocado em relação aos hábitos de envio e recebimento de dinheiro do exterior. Além disso, a iniciativa gerou desconfiança nos mercados financeiros internacionais durante o período de maior volatilidade dos preços.
O acordo com o FMI e os rumos atuais Diante de dificuldades fiscais, o governo fechou um acordo financeiro bilionário que exigia a redução dos riscos associados à criptomoeda. Como resultado, o parlamento alterou a legislação e retirou o status de curso legal obrigatório do ativo digital.
Apesar de o projeto original ter perdido força, defensores e analistas destacam que a iniciativa colocou o tema no mapa global. As reservas acumuladas continuam sob gestão estatal e os debates sobre o futuro dos ativos digitais na economia continuam gerando discussões internacionais.
Fonte: G1 Economia