Sanepar planeja expansão nacional e avalia aliança com a Sabesp
Com planos claros de se consolidar como uma operadora de alcance nacional, a Companhia de Saneamento do Paraná mira novas oportunidades de mercado e não descarta futuras alianças estratégicas com outras gigantes do setor. A revelação foi feita pelo CEO da estatal, Wilson Bley, durante agenda realizada em São Paulo.
Estratégia de crescimento por meio de consórcios
Segundo o dirigente, a entrada em novos territórios ocorrerá prioritariamente por meio de consórcios para preservar o caixa paranaense. “A nossa participação pode ser menor, mas a gente quer entrar e se posicionar no mercado, trazendo novas receitas e levando uma expertise que foi construída. O que não posso fazer é investimento em outros lugares em detrimento do Paraná. Por isso, [a ideia é ter] sempre consórcios”, afirma Bley.
Atualmente, a empresa de economia mista — controlada pelo governo estadual com 20% das ações e acionistas minoritários com fatias de até 3% — atende 344 cidades paranaenses e uma em Santa Catarina. Entre as bases do plano de expansão está um memorando assinado com a espanhola Acciona para disputar concorrências públicas, além de um acordo recente com o grupo GSInima para focar em água de reuso voltada às indústrias.
Sobre a possibilidade de união com outras empresas do setor, o executivo reforçou: “Por que nós não fazemos uma parceria com a Sabesp? Nós temos também essa possibilidade. O mercado teve um boom e agora entrou numa fase um pouco mais calma”.
Metas de universalização e novas frentes de negócio
A meta da estatal é alcançar a universalização do saneamento até 2029, superando o prazo estipulado pelo marco legal. Enquanto a cobertura de esgoto está em 84%, o objetivo é chegar a 90%, dentro de um ciclo de investimentos de R$ 13 bilhões previstos até 2030. “Para cada 1% extra no tratamento do esgoto, é R$ 1 bilhão a mais”, diz o CEO.
Além da atividade principal, a companhia estuda ingressar no mercado de carbono, utilizando emissões de óxido nitroso do esgoto, e planeja explorar os 110 mil quilômetros de rede subterrânea com serviços de fibra óptica. “Eu tenho que olhar esse investimento não pela diminuição dos seus custos, mas pelo custo adequado para que eu possa trabalhar essa questão da sustentabilidade”, afirma Bley.
Desempenho financeiro e debate sobre privatização
No segundo trimestre de 2026, a receita líquida alcançou R$ 1,9 bilhão, alta de 11,5% na comparação anual, somando R$ 3,85 bilhões no semestre. O período registrou prejuízo contábil de R$ 505,2 milhões devido a provisões de R$ 953 milhões associadas a precatórios, valor que, se desconsiderado, revelaria lucro de R$ 447 milhões. A regra estipula que 75% dos recursos de novos negócios revertam em redução tarifária e 25% fiquem com a empresa.
Questionado sobre uma possível privatização sob a gestão do governador eleito Sergio Moro (PL), o executivo ponderou que a condução da empresa é técnica. “Nós trabalhamos de forma mercadológica e não ideológica. Se for necessária a privatização para alcançar esses resultados, quem sabe seja esse o caminho. Mas esse não é o nosso caminho.”
Fonte: Folha - Mercado