Pular para o conteúdo principal

Caderno Mercado

Opep+ mantém cotas de petróleo para dezembro antes de definir 2027

Opep+ mantém cotas de petróleo para dezembro antes de definir 2027

Os principais países produtores de petróleo da Opep+, aliança que reúne a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e a Rússia, decidiram manter inalteradas as metas de extração para o mês de dezembro. A deliberação foi tomada por sete nações do grupo durante uma conferência realizada de forma virtual, confirmando as previsões do mercado de que o pacto de oferta seguiria sem alterações imediatas até o encerramento do ano corrente.

Reunião online define próximos passos Participaram do encontro virtual autoridades de Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão e Omã, conforme comunicado oficial divulgado pela própria organização. Embora algumas nações do Golfo tenham ampliado o volume de exportações — que enfrentavam restrições devido aos impactos do conflito envolvendo o Irã —, a maior parte dos integrantes continua extraindo volumes consideráveis abaixo das respectivas metas estabelecidas.

“A decisão de hoje foi fácil”, disse Jorge Leon, analista da Rystad. “O teste muito mais importante virá na reunião ministerial de 29 de novembro, quando a OPEP+ decidirá sua estrutura de produção para 2027.”

Contexto geopolítico e preços no mercado internacional A decisão ocorre logo após uma alta superior a 2% nos preços do petróleo registrada no mercado internacional, impulsionada pelas apreensões dos operadores diante de uma potencial intensificação das hostilidades militares no Oriente Médio. O barril do petróleo Brent encerrou cotado próximo a US$ 118, alcançando o patamar mais elevado desde o mês de abril. Paralelamente, entidades de projeção econômica, como a Agência Internacional de Energia, alertam para o risco de sobreoferta global caso as rotas de exportação da região retomem a normalidade.

“A OPEP+ enfrenta uma decisão extremamente difícil para 2027”, acrescentou Leon. “O grupo precisa planejar em meio a uma enorme incerteza sobre a guerra entre os EUA e o Irã, o ritmo da recuperação do tráfego pelo Estreito de Ormuz e o tamanho do excedente que poderia surgir assim que os barris que estavam em falta voltarem ao mercado.”

Revisão de capacidade e próximos desafios Durante o ano de 2026, o bloco de sete nações promoveu elevações graduais nas metas de oferta, concluindo em setembro a reversão parcial de cortes que haviam sido estipulados originalmente no ano de 2023. No entanto, a Opep+ ainda mantém cortes adicionais de aproximadamente 2 milhões de barris por dia que afetam a totalidade dos membros até o encerramento deste ciclo anual.

Antes de fixar as diretrizes definitivas para o próximo período, o cartel precisa concluir uma auditoria detalhada sobre a real capacidade produtiva de cada integrante, processo que deve ser finalizado até meados de novembro. O conflito na região acabou paralisando iniciativas de ampliação de infraestrutura no Oriente Médio, adicionando complexidade às projeções de fornecimento global.

Fonte: Folha - Mercado