Metalúrgicos do ABC iniciam negociações por nova jornada após o fim da escala 6×1
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC já está em tratativas com companhias da região para atualizar convenções e acordos coletivos de trabalho, visando a implantação da nova jornada exigida após o fim da escala 6×1. As discussões ganharam fôlego após a promulgação da emenda constitucional 141 no último dia 16, que determina a diminuição da carga horária de 44 para 42 horas semanais a partir de dezembro, adotando o modelo 5×2 sem impacto nos salários.
H2 Movimentação patronal e histórico de cobranças H3
Embora os textos definitivos precisem passar pelo aval de assembleias, a procura por parte das empresas aumentou significativamente logo após o avanço da pauta no Congresso Nacional, conforme relata o presidente da entidade.
“Quando aprovou na Câmara, procuramos as empresas. Após aprovar no Senado, começou o movimento contrário. A verdade é que, há 20 anos, todas as convenções que a gente negocia a gente coloca na pauta a redução para 40 horas, mas por convenção é muito difícil”, diz Wellington Damasceno.
H2 Impacto nas montadoras e cautela na produção H3
As principais montadoras instaladas no ABC Paulista já operam com o regime de 40 horas semanais, beneficiando cerca de 26 mil colaboradores em uma base total de aproximadamente 74 mil profissionais. A meta agora é customizar a transição conforme a realidade de cada planta industrial, impedindo imposições unilaterais por parte dos empregadores.
“Não vamos aceitar que a empresa coloque a jornada no quadro de avisos. Vamos negociar a partir do ponto de vista da empresa, mas dando para o trabalhador a melhoria da jornada dele”, afirma o dirigente.
H2 Complexidade operacional e prazos legais H3
Antes mesmo da conclusão das votações em Brasília, a diretoria do sindicato articulou debates internos ao lado do Dieese e do setor jurídico. O planejamento técnico é visto como fundamental para evitar gargalos como sobreposição de turnos, falhas no maquinário e transtornos nos horários de refeição e transporte.
A entidade corre contra o tempo para esgotar as tratativas antes do encerramento do prazo de 60 dias, estipulado para 16 de dezembro. Para Damasceno, a nova regra representa o marco regulatório mais expressivo desde a Constituição de 1988, quando a carga horária caiu de 48 para 44 horas semanais por iniciativa de Luiz Inácio Lula da Silva, que também presidiu o sindicato da categoria.
Fonte: Folha - Mercado