Pular para o conteúdo principal

Caderno Mercado

Meta amplia investimentos em inteligência artificial e anuncia nova classe de ações

Meta amplia investimentos em inteligência artificial e anuncia nova classe de ações

A Meta elevou suas projeções de aportes financeiros e revelou planos para emitir uma nova categoria de ativos sem direito a voto, intensificando sua investida bilionária no setor de inteligência artificial.

Projeção de gastos e nova classe de ações

Durante a divulgação de seu balanço trimestral, a companhia informou que os investimentos de capital em 2026 ficarão entre US$ 135 bilhões (R$ 678,2 bi) e US$ 145 bilhões (R$ 728,5 bi), superando o piso anterior de US$ 130 bilhões (R$ 653,1 bi). Paralelamente, os atuais investidores receberão uma nova classe de ativos por meio de dividendos, em uma operação equivalente a um desdobramento de ações na proporção de dois para um, com negociações previstas para começarem em janeiro. Esses novos papéis funcionarão como instrumentos para impulsionar a expansão da corporação, sendo aplicados na captação de recursos, na remuneração de funcionários e em eventuais aquisições.

Resultados financeiros e desempenho do Muse

As iniciativas refletem a confiança da companhia de que os desembolsos pesados trarão retorno, impulsionados pelo desempenho do agente de inteligência artificial Muse, que atraiu mais de 10 milhões de usuários nos Estados Unidos e Canadá em poucas semanas. “Os nossos investimentos estão dando resultado, o negócio principal está sólido e estamos ganhando velocidade em todas as frentes”, afirmou Mark Zuckerberg, CEO da Meta, no relatório divulgado.

O executivo também destacou a transição estratégica da ferramenta: “Agora que o Muse demonstrou claramente sua adequação ao mercado, estamos entrando em uma nova fase, mais operacional, voltada para a expansão em escala”.

No aspecto financeiro, a receita do terceiro trimestre apresentou alta de 26%, alcançando US$ 64,6 bilhões (R$ 64,6 bi), enquanto o lucro por ação ficou em US$ 3,83 (R$ 19,24). Para o quarto trimestre, a expectativa de faturamento situa-se entre US$ 73 bilhões (R$ 366,7 bi) e US$ 76 bilhões (R$ 381,8 bi).

Monetização e reestruturação corporativa

Com o objetivo de tornar o assistente rentável, Zuckerberg pontuou que o modelo continuará gratuito para o público geral, gerando receita por meio de taxas de transação corporativas, assinaturas para usuários intensivos e ferramentas avançadas para o ambiente de trabalho. “Se a eficiência computacional continuar melhorando rapidamente por mais alguns anos, o que consideramos altamente provável, então o Muse será altamente lucrativo ao longo de vários anos”, acrescentou o CEO.

Para sustentar essa guinada tecnológica sob a liderança de Alexandr Wang na unidade de IA, a dona do Facebook e Instagram reduziu seu quadro de funcionários em 15% e planeja diminuir os prejuízos da divisão Reality Labs, que devem atingir US$ 19 bilhões (R$ 95,4 bi) neste ano antes de caírem para US$ 15 bilhões (R$ 75,3 bi) em 2027.

“Embora esses investimentos levem mais tempo para gerar retornos do que os realizados em nosso negócio principal”, afirmou a diretora financeira Susan Li, “a amplitude das oportunidades de monetização e dos ganhos internos de eficiência nos dá confiança em seu potencial de longo prazo”. Por fim, a emissão dos ativos sem direito a voto assegurará que Zuckerberg mantenha o controle diretivo da empresa “rumo à próxima era”.

Fonte: Folha - Mercado